terça-feira, 12 de março de 2013

“People, Hell and Angels” sai do baú da família Hendrix

Mais um de Jimi Hendrix na praça
Pelo andar da carruagem, até o ano 2020, aniversário de 50 anos da morte de Jimi Hendrix teremos gravações inéditas lançadas pela família. O pai criou a “Experience Hendrix” – agora sob responsabilidade da irmã – com o intuito de preservar o legado do rapaz. Menos mal, pois logo depois de sua morte, a gravadora e alguns produtores “espertinhos” andaram lançando verdadeiras porcarias aproveitando da aura de “guitar hero” morto precocemente sob efeito de álcool, drogas e muito rock’n’roll.

Hendrix gravava tudo, até ensaios, e conseguiu um contrato em que as gravações lhe pertenciam, algo raro no meio fonográfico. Há muita coisa mesmo nas fitas que hoje pertencem à família. É um bom jeito deles se aproveitarem financeiramente e garantirem uma vida pra lá de confortável às custas da genialidade alheia; Jimi foi o bilhete premiado que tinham à mão.

O lançamento oficial de People, Hell & Angels aconteceu na semana passada, 5 de março. São registros de sessões de 1968 e 69 no Record Plant Studios. Depois de Electric Ladyland, Hendrix, em busca de novos sons, havia montado a Band of Gypsys, com Billy Cox e Buddy Miles. As gravações representam essa fase de transição, ainda contando com o baterista Mitch Mitchell em três faixas, mas já sem a presença de Noel Redding.

Face à enxurrada de discos póstumos, críticos mais radicais consideram que os discos que realmente importam são Are You Experienced?, Axis Bold As Love e Electric Ladyland. Mas Hendrix fez muito mais e nesse baú existem coisas que reafirmam sua genialidade. Os fãs de carteirinha nunca deixarão de esperar pelas gravações “inéditas”.

Muitas faixas são conhecidas, como Hear My Train Coming, Izabella e Villanova Junction Blues, apresentadas no Festival de Woodstock e lançadas em álbuns póstumos. Os primeiros foram puro caça-níqueis, aproveitando-se da morte prematura. Um produtor chamado Alan Douglas usou músicos de estúdio para “completar” algumas gravações deixadas por Hendrix. É quase unanimidade que Crash Landing e Midnight Lightning (lançados em 1975) estão entre seus piores discos póstumos, junto com Loose Ends (1974), que a Reprise chegou a recusar a lançá-lo nos EUA e Canadá.

Do malfalado Crash Landing estão incluídas a música com esse título e Somewhere. Apelaram até ao intitularem esta última como Somewhere Over the Rainbow, nome com que ficou conhecido Over the Rainbow, clássico composto em 1939 por Harold Arlen, com letra de E.Y. Harburg e eternizada pela interpretação da ainda menina Judy Garland em O Mágico de Oz. Somewhere do recém-lançado CD tem a curiosidade de contar com Stephen Stills, cofundador do Crosby, Stills & Nash e o Manassas, tocando baixo elétrico, o que não é usual, primeiro, porque é guitarrista, e outra, é muito raro Stills aparecer em algum disco como sideman.

Hendrix estourou com o Experience com um trio guitarra/baixo/bateria. No terceiro, o duplo Electric Ladyland, “experimentou” acrescentando outros instrumentos. Contou com participações de Steve Winwood, Al Kooper, Chris Wood, e até Brian Jones, do Rolling Stones, tocando percussão em All Along the Watchtower.

A Band of Gypsys, com o antigo colega de exército, o baterista e vocalista Buddy Miles, apontava para uma nova direção na interpretação do blues. Foi o que o guitarrista tinha dito à época. O CD lançado agora serve de panorama para o que poderia vir se ele estivesse vivo. Temos registros como Let Me Move You, em que divide vocais e vemos acrecentados o saxofone de Lonnie Youngblood. Mais interessante que essa – bem normal –, é Mojo Man, com bela seção de sopros com o Ghetto Fighters e vocal de Albert Allen. É um dos destaques.

People, Hell & Angels, no geral, deve ser considerado como mais um álbum póstumo de Hendrix. Não acrescenta aos três primeiros e nem ao Band of Gypsys, lançado logo após a sua morte. Para aqueles que não tem algum de Hendrix – o que é quase impossível entre os que gostam de rock – é uma boa opção de compra.

Ouça Somewhere, uma das boas do disco.




O YouTube, cada vez mais, tem servido de espaço para a disponibilização de áudio. Um maluco colocou o álbum em sua totalidade. Ouça. Preste atenção em Mojo Man, faixa em que Hendrix não canta. É a penúltima.

Nenhum comentário:

Postar um comentário