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| A original (esq) e a capa espanhola |
Em 1971, os Rolling Stones estavam no auge. Haviam lançado Their Satanic Majesties Request, Beggars Banquet e Let It Bleed nos tumultuados anos finais dos 1960. A banda também protaganizou acontecimentos traumáticos. Um foi a morte de Brian Jones e o outro foi o show realizado em Altamont, em dezembro de 1969. Nessa ocasião, um espectador negro foi assassinado pelos Hell’s Angels, recrutados para fazer a segurança do show. A morte de Jones, encontrado morto na piscina, foi um episódio que “sobrou” para os dois principais componentes da banda, Mick Jagger e Keith Richards. Surgiram até acusações de que ambos haviam sido os responsáveis pelo triste fim do multinstrumentista.
Em vez de os acontecimentos arrefeceram a criatividade da banda, mantiveram o mesmo gás. Sticky Fingers era o primeiro álbum com a participação de Mick Taylor, substituto de Brian Jones. No anterior – Lei It Bleed – Taylor participara de duas músicas, e Jones pode ainda ser ouvido em Midnight Rambler e You Got the Silver, mas não na guitarra.
Brown Sugar e Bitch (abrem o lado A e o B do LP), instrumentalmente, são as mais pesadas. Pesada mesmo, pelo tema, é Sister Morphine. A Espanha, que tinha vetado a capa, “cortou-a” do LP. Ironia: esses LPs lançados lá, hoje, são considerados item de colecionador.
Pensando bem, nada é leve em Sticky Fingers. Até Wild Horses, a balada triste do LP, tem uma letra que nada tem a ver com um mundinho cor de rosa.
Brian Jones representava o lado experimental da banda, tocando outros instrumentos além da guitarra. Após a sua morte os RS iriam realizar um disco mais básico, mais rock’n’roll. Com o acréscimo do órgão de Billy Preston, da guitarra lisérgica de Ry Cooder e dois caras matadores nos sopros: Jim Price, no trompete, e Bobby Keys no saxofone. Eles “arregaçam” em Bitch e I Got the Blues. Alguns uníssonos em I Got the Blues são o diferencial desse grande tema stoniano. Um parêntesis: quem já ouviu Ry Cooder conhece bem o seu som. Participa de Sister Morphine e, tempos depois, Richards polemizou com Cooder dizendo que o som “viajante” era invenção dele e não do americano. O tempo mostrou que aquela guitarra distorcida era bem de Cooder mesmo.
Como Exile on Main St., não é possível dizer que há uma música ruim. Todas, muito boas, são demonstrativos da versatilidade da dupla de compositores. You Gotta Move – malemolente – e Moonlight Mile são completamente diferentes e se complementam como climas de “coclusão” dos lados 1 e 2 do LP. Can You Hear Me Knocking é completamente jazzística, com belos e simples solos do trompete e do sax do “brasileiro” (casou com uma brazuca e foi morar no Rio de Janeiro; não sei se continuam juntos) Bobby Keys, somados ao órgão de Preston e a percussão de Rocky Duon, que, vagamente, lembra o “demonismo” de Sympathy for the Devil.
Bom, esses sete parágrafos são apenas a introdução para se ouvir Wild Horses, uma das mais belas baladas dos RS, como Ruby Tuesday e Angie. A primeira interpretação, naturalmente, é com seus autores. Estão disponibilizadas aqui a do Sundays, a da norueguesa Solveig Slettahjell e a de Rachel Z. Esta última é uma pianista do jazz que pinça temas do pop para seus improvisos (sobre a moça, acesse http://bit.ly/WQL6fy).
Pessoalmente, adoro a de The Sundays. Não é muito conhecida. Gravaram três álbuns apenas. A voz de Harriet Wheeler é especial. Wild Horses está no álbum Blind (tem uma capa com um meio corpo de uma boneca de plástico; meio tétrica). Não era uma banda excepcional, mas não era ruim, também; só a canção dos Stones faz valer o resto. A razão de possuir o CD deve ser porque, entre os anos 1980 e 2000, comprava de 20 a 30 CDs por mês e, no meio, tinha muita coisa desnecessária.
A de Solveig Slettahjell. A música combina com vozes femininas.
Como não pode faltar um pouco de jazz na vida da gente, vai Wild Horses na interpretação de Rachel Z.

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