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| Krall, de corpo inteiro |
Ainda não há muita coisa escrita sobre o CD que tem lançamento oficial anunciado para hoje, 2 de outubro (escrevo quatro dias antes). O repertório é quase todo composto de músicas compostas no período entreguerras. Está aí também a explicação pela imagem glamurosa dessa moça de 47 anos. Foi inspirada nos figurinos de Ziegfeld Follies.
Diferentemente dos outros discos em que os sidemen são John Clayton e Jeff Hamilton, temos uma profusão de violões, guitarras e assemelhados como o ukulele e o banjo; e seu guitarrista de costume – Anthony Wilson – nem participa.
Na fase pré adolescente e adolescente, Krall costumava ouvir a vasta coleção de discos 78 rpm do pai. Algumas das canções de Glad Rag Doll, conheceu-as naquele tempo. A cantora/compositora selecionou 35 canções e apresentou-as ao produtor e guitarrista T Bone Burnett. A ele coube a escolha. Algumas como I’m a Little Mixed Up, um rockabilly de 1961, entraram por sugestão de T Bone. Diana considerou um desafio, mas T Bone disse achá-la ótima também como pianista “rock’n’roll”. Outra “fora do tempo” é Lonely Avenue, gravada por Ray Charles em 1956, com arranjo inspirado, segundo T Bone, em entrevista disponível no Vimeo, em Tribute to Jack Johnson, grande disco de Miles Davis de sua fase elétrica inicial.
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| A capa do CD |
Pois, como dizia, à medida que se ouve mais, o “susto” se vai e vejo que posso clicar “curtir” em várias faixas. E, pensando bem, mesmo louco para falar mal de Diana, não consigo: é paixão incondicional. É até perdoável uma capa como a de Glad Rag Doll, em que se explora a imagem da mulher sensual em detrimento de outras qualidades. Falei mal mais de uma vez desse tipo de exploração que “coisifica” o artista. Imagino, porém, que ela está de pleno acordo em aparecer do modo como é apresentada na capa. Não se deve nunca esquecer que o narcisismo é um comportamento natural e Diana deve ficar muito feliz quando a elogiam por sua beleza, quem sabe, mais até do que pelo seu talento musical.
Após ouvir cinco vezes em um período de dois dias, já tenho as minhas preferências: Let It Rain (suave, acústica, violão, baixo e bateria), Glad Rag Doll (prefiro o alternate take, com ela ao piano), Wide River Cross, a “roqueira” I’m a Little Mixed Up, When the Curtain Comes Down, e, principalmente, Lonely Avenue. É a que você ouve aqui.
Nota: Todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.
Ouça a mesma canção, com Ray Charles.
Ouça Wide River to Cross.


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