terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diana Krall: a pose na capa é para quem pode

Krall, de corpo inteiro
Na primeira audição é um susto total. Glad Rag Doll é totalmente diferente do que gravou até hoje. Mas, acostumando-se, é possível se dizer que é bom.

Ainda não há muita coisa escrita sobre o CD que tem lançamento oficial anunciado para hoje, 2 de outubro (escrevo quatro dias antes). O repertório é quase todo composto de músicas compostas no período entreguerras. Está aí também a explicação pela imagem glamurosa dessa moça de 47 anos. Foi inspirada nos figurinos de Ziegfeld Follies.

Diferentemente dos outros discos em que os sidemen são John Clayton e Jeff Hamilton, temos uma profusão de violões, guitarras e assemelhados como o ukulele e o banjo; e seu guitarrista de costume – Anthony Wilson – nem participa.

Na fase pré adolescente e adolescente, Krall costumava ouvir a vasta coleção de discos 78 rpm do pai. Algumas das canções de Glad Rag Doll, conheceu-as naquele tempo. A cantora/compositora selecionou 35 canções e apresentou-as ao produtor e guitarrista T Bone Burnett. A ele coube a escolha. Algumas como I’m a Little Mixed Up, um rockabilly de 1961, entraram por sugestão de T Bone. Diana considerou um desafio, mas T Bone disse achá-la ótima também como pianista “rock’n’roll”. Outra “fora do tempo” é Lonely Avenue, gravada por Ray Charles em 1956, com arranjo inspirado, segundo T Bone, em entrevista disponível no Vimeo, em Tribute to Jack Johnson, grande disco de Miles Davis de sua fase elétrica inicial.

A capa do CD
Sem a presença de Anthony Wilson, quem dá show é Marc Ribot. O “cubano postizo”, a exemplo de outro americano – Ry Cooder –, sempre dá um toque diferenciado por onde passa (leia sobre sua participação no disco de Madeleine Peyroux aqui)

Pois, como dizia, à medida que se ouve mais, o “susto” se vai e vejo que posso clicar “curtir” em várias faixas. E, pensando bem, mesmo louco para falar mal de Diana, não consigo: é paixão incondicional. É até perdoável uma capa como a de Glad Rag Doll, em que se explora a imagem da mulher sensual em detrimento de outras qualidades. Falei mal mais de uma vez desse tipo de exploração que “coisifica” o artista. Imagino, porém, que ela está de pleno acordo em aparecer do modo como é apresentada na capa. Não se deve nunca esquecer que o narcisismo é um comportamento natural e Diana deve ficar muito feliz quando a elogiam por sua beleza, quem sabe, mais até do que pelo seu talento musical.

Após ouvir cinco vezes em um período de dois dias, já tenho as minhas preferências: Let It Rain (suave, acústica, violão, baixo e bateria), Glad Rag Doll (prefiro o alternate take, com ela ao piano), Wide River Cross, a “roqueira” I’m a Little Mixed Up, When the Curtain Comes Down, e, principalmente, Lonely Avenue. É a que você ouve aqui.


Nota: Todas as músicas postadas no DivShare podem ser “puxadas”. Basta clicar em “share” e depois, em “download”.

Ouça a mesma canção, com Ray Charles.



Ouça Wide River to Cross.

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