terça-feira, 12 de junho de 2012

A rosa e a mais bela pétala de rosa

Com tanta coisa para se ouvir! Ainda bem: temos belas surpresas nas quais tropeçamos. Para embalar minhas noites de sono, deixo meu iPod conectado nos falantes Altec Lansing a tocar. Temos nossas preferências e dentro de milhões de intérpretes, nunca prestei muita atenção nos discos solo de Greg Osby. Descubro St. Louis Shoes. Certamente, é um trocadilho com St. Louis Blues, famosíssima composição de W.C. Handy. Está lá: é a última faixa do CD. A que abre é East St. Louis Toodle-Oo, de Duke Ellington. Nenhuma música é de sua autoria nesse disco. Algumas são mais recentes, como Whirlwind Soldier, de Cassandra Wilson, e outra é de Jack DeJohnette (Milton on Elbony). Tem Summertime, Light Blue, de Thelonious Monk, Bernie’s Tune e Shaw Nuff, de Charlie Parker e Dizzy Gillespie. O que mais me chamou a atenção foi justamente outra composição de Duke Ellington: The Single Petal of a Rose.

Ellington, Billie Holiday e o crítico Leonard Feather (1945)
Duke. Ellington é um daqueles que pulverizou os limites do que é considerado erudito. A música assim chamada era o que Beethoven, Brahms e Bach fizeram, o que Debussy, Ravel e Stravinsky faziam no início do século XX, ou os americanos Charles Ives e Carl Ruggles compunham. George Gershwin foi um dos pioneiros a transpor esse limiar entre o erudito e o popular, principalmente com a ópera Porgy and Bess, Rhapsody in Blue e Concerto em fá maior para piano e orquestra. Duke Ellington não se pretendia um erudito. Importava-se em compor boa música e fazer belos arranjos para a sua banda. Inteligentemente, rodeou-se de grandes músicos que lhe foram fiéis. Alguns, como Harry Carney, grande saxofonista barítono e um dos artífices do “som ellingtoniano”, tem a carreira como músico, umbilicalmente ligada a ele. Outros, como Johnny Hodges ou Paul Gonsalves, também. Um dos grandes nomes do saxofone tenor – Ben Webster –, apesar da brilhante carreira como líder, deve crédito ao washingtoniano. Uma curiosidade que não tem muito a ver com o que se fala aqui: Duke Ellington gostava de excursionar pelos EUA, locomovendo-se de carro; o motorista “oficial” era Harry Carney. Segundo Geoff Dyer, autor de But Beautiful (Picador, 1996), um dos livros mais brilhantes jamais escritos tendo como assunto o jazz, diz que Ellington deve ter viajado o equivalente de três a quatro voltas ao mundo de automóvel.

É chover no molhado, citar Solitude, Take the “A” Train, Satin Doll, Sophisticated Lady, várias delas parcerias com Billy Strayhorn. Essas e várias suítes como Black, Brown & Beige o coloca no mesmo patamar dos maiores compositores do século XX – e, inclua-se aí, Bártok, Stravinsky, Ravel e Debussy.

The Queen’s Suite foi composto por Ellington, em 1959, em homenagem à rainha Elizabeth II (por sinal, está completando 60 anos de reinado neste mês de junho). A quinta suíte, The Single Petal of a Rose, é uma das mais belas composiçoes de Duke. Apenas ao piano, e o contrabaixo de Jimmy Woode, é uma pérola entre outras que compôs. Aliás, a rosa, a flor, digo, é motivo de inspiração de belíssimas músicas. No repertório brasileiro, não se deve deixar de citar Rosa, de Pixinguinha e Otavio de Souza, e As Rosas Não Falam, de Cartola.

Antes de ouvir The Single Petal of a Rose, com Ellington, vamos à Rosa, em interpretação sublime de Marisa Monte.




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A “Pétala”, por Ellington.




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A de Greg Osby, o pretexto para esse post faz uma releitura muito boa do clássico de Ellington. Greg toca sax alto, Nicholas Payton, trumpete, Harold O’Neal, piano, Robert Hurst, baixo, e Rodney Green, bateria. Ouça.



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