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| Estilo é o que não falta a Melody Gardot |
É um show, evidente, em Paris, provavelmente. Como Melody tem apenas dois discos lançados e tudo o que fez até agora é bom, a seleção é de primeira. Uma coincidência: os dois CDs, comprei-os em Paris, em duas ocasiões diferentes; vejo pelos “jewel boxes” pois, como os franceses têm que ser diferentes em tudo, as “caixinhas” possuem cantos arredondados e possuem até um fecho de pressão. Disseram que o fazem como forma de proteger a indústria local. Não sei se alguém teve a oportunidade de tentar escrever em um teclado de computador francês. No mundo todo convencionou-se à forma chamada “qwerty”, que corresponde às primeiras letras da esquerda para a direita, mas os franceses, como disse, são diferentes. Tente comprar um DVD francês e veja no que vai dar. Outro detalhe: quando comprei o primeiro, na Virgin da Champs-Élisées, tinha certeza de que estava adquirindo o disco de uma francesa, ainda mais pelo nome “Gardot”, foneticamente, semelhante ao “Bardot” de Brigitte.
A primeira é Worrisome Heart e a segunda, é The Rain. Até o fim dos meus dias, vou ficar (muito) emocionado ao ouvir essa composição de Melody. Às vezes, me faz lembrar de Nina Simone. Na voz doída, impossível não pensar na sua tragédia pessoal: quando tinha 19 anos, foi atropelada andando de bicicleta e, hoje, anda apoiando-se em uma bengala, em consequência de danos na bacia e na espinha, além de ter ficado com um problema de intolerância com a luz, sendo obrigada a usar óculos escuros (leia http://bit.ly/Kmg0Ck).
Gardot sabe interagir com a plateia. Fala em francês, em inglês, conta histórias, faz juras de amor ao público, brinca com o sotaque russo (acho que é isso mesmo) da avó, conta passagens de sua vida, sobre sua mãe e de seu nascimento. Fala da gratidão que tem pela mãe. Pelo que Melody fala, é filha de mãe solteira, que tinha três empregos para se sustentar. Simpaticíssima.
Além das composições dos discos solos, canta alguns standards que não gravou, como Smile (essa era uma que a mãe cantava) e Caravan, de Juan Tizol e Duke Ellington; a outra, Somewhere Over the Rainbow, gravou no seu segundo CD. Para confirmar que Melody lembra Nina Simone, na sua composição Love Me Like a River, abre com os versos iniciais de Wild Is the Wind, uma das canções emblemáticas interpretadas pela legendária cantora. “Love me love me/ Say you do/ Let me fly away/ With you”, são os versos iniciais desse clássico; Love Me Like a River começa com “Love me like a river does/ Cross the sea/ Love me like a river does/ Endlessly/ Love me like a river does/ Baby, don‘t rush you’re not a waterfall”. “Me ame como um rio/ Querido, não se apresse, você não é uma cachoeira”. Lindo, não? É o que você vai ouvir.
A outra que você ouve é Ain’t No Sunshine. É um clássico do anos 1970 (é de 1971), de Bill Withers. Ouça a original, com Bill.
A de Melody.
Vamos aguardar o CD – The Absence –, que será lançado no dia 29 de maio. Enquanto isso, assista ao teaser. É um making of da capa.

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