quinta-feira, 12 de abril de 2012

A minha preferida do último álbum da CéU

CéU na capa
Subitamente CéU tinha virado o “talk of the town”, pelo menos em um círculo de pessoas e formadores de opinião. Não resisti e fui a uma apresentação dela no Grazie a Dio, em São Paulo. O lugar é pequeno e não gostei da equalização do som, mas notei que a moça tinha presença e era muito afinada. Mas o que mais existe são cantoras afinadas. Para se sobressair é necessário mais que uma bela fachada e uma voz afinada. É preciso algum diferencial, e esse diferencial não é facilmente percebível. Às vezes, é um detalhe difícil de definir, quando não se tem uma voz tão única como a de uma Cassia Eller ou de uma Maria Bethânia.

Do primeiro CD, adoro seu Concrete Jungle, de Bob Marley. É um balanço reggae personalizado, filtrado por outras influências. Tem algo específico que me atrai e não consigo definir. Mas essa especificidade está presente em muitas das músicas cantadas por CéU e posso dizer que essa “coisa indefinível” é a razão pela qual gosto dela.

Vagarosa… ah, talvez essa palavra se encaixe um pouco na “coisa indefinível” que me atrai tanto, uma certa malemolência, uma “preguiça”, os sons que se encadeiam naturalmente em ritmos que me levam a algum “lugar” prazeroso. Ouvindo Cangote, a segunda do seu segundo CD, percebo que Céu adora reggae e relê a sua batida, mas de um jeito mais leve, incorpora o “modus” dos backing vocals dos jamaicanos, se bem que as vozes são dela mesma – são várias CéUs acompanhando a CéU solista. O samba não podia faltar, mas CéU é mais samba no primeiro álbum e menos nos posteriores.

Compro seu Caravana Sereia Bloom. Não difere muito dos outros. Penso na CéU como um corpo único, como sendo esse terceiro disco mais um órgão que se soma aos outros. Depois de ouvir umas cinco vezes (é o que faço normalmente; ouvir várias vezes os discos que compro; posso nunca mais botar a mão neles, mas, gostando ou não gostando, essa é a minha forma de gravar na minha mente e ver se valerá a pena ouvir em outras ocasiões), as minhas preferidas são Retrovisor (órgão elétrico – tocado por ela – e vozes dobradas, batidas da bateria e marcação de baixo para uma guitarra meio viajante antes da repetição de “Pode vir me contar das coisas que/ pensei em conhecer em ti”) e Ffree, curtíssima, uma pequena pérola de um minuto e sete segundos.

A maioria das composições são de CéU, algumas de Lucas Santtana, e uma de Nelson Cavaquinho (Palhaço) em bela releitura.

Ouça Retrovisor.

Um comentário:

  1. Olá! Gostei do seu blog. Um amigo me indicou... Eu adoro a Ceu, sabe? Não conheço o novo trabalho dela, e concordo com vc na definição que deu para o que chama de "indefinível": vagarosa...
    Parabéns, Guen... Muito legal o seu texto, refinado e palatável.

    Regiane

    Gostei da música.

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