Agora, em 1º de março, Dalla falece. A morte é um fator natural. Pela média, faleceu precocemente – pouco antes de completar 69 antes. Um ataque (que palavra melhor pode existir para a morte) do coração, pouco depois do café da manhã, em Montreux, Suíça, o matou.
Fora o necrológio de costume e matérias nos segundos cadernos dos principais jornais, o que virou notícia mesmo foi a “revelação” de que era homossexual. A Itália, apesar de europeia, parece que tem uma das legislações mais conservadoras quanto às uniões de pessoas do mesmo sexo. A jornalista Lucia Annunziata, em seu programa, ½ Ora, na Rai 3, disse: “Os funerais de Lucio Dalla são um exemplo dos mais fortes do que significa ser gay na Itália: vai-se à Igreja, concedem os funerais e sepultam com o rito católico desde que não se diga tratar-se de um falecido gay”.
Segundo os noticiários, na missa de domingo, aglomeraram-se mais de 30 mil pessoas em frente à Basílica de São Petrônio, em Bolonha, em homenagem a um de seus mais ilustres artistas. Marco Alemanno, ator, dramaturgo e diretor de teatro, 32 anos de idade, que mantinha relacionamento amoroso com Dalla há mais de dez, anos fez um discurso emocionado e caiu em choro convulsivo.
Apesar do CD comprado há anos, conheço pouco o repertório de Dalla, mas eu e a humanidade conhecemos Caruso. Essa música, composta em 1986, vendeu mais de 9 milhões de cópias com Luciano Pavarotti; foram vendidos também 20 milhões de CDs de Romanza, de outro tenor – Andrea Bocelli –, contendo esse clássico.
![]() |
| O autógrafo do Oscar para mim |
Caruso bossa nova.
Dentre as interpretações que conheço, gosto muito da que está no CD Playful Heart, do brasileiro radicado nos EUA, Oscar Castro Neves. Oscar é um dos pioneiros da bossa nova e é hoje um dos músicos mais requisitados no mercado americano como produtor e arranjador e, claro, como instrumentista. Participou de discos de uma infinidade de músicos do jazz e da música popular. Playful Heart (2003) é uma coleção de standards brasileiros e americanos “in bossa nova ways”. Belo disco.
Ouça o seu Caruso.
Ouça o seu Caruso.
![]() |
| DeFrancesco em dois tempos |
Caruso jazz.
A lembrança de Lucio Dalla é em razão, não apenas de sua morte, mas por tê-la ouvido no órgão Hammond B3 de Joey DeFrancesco em seu mais recente CD.
Os órgãos elétricos (ou eletrônicos?) surgiram por uma razão muito prática, imagino: são grandes e não são transportáveis. O som é inigualável e impossível de ser replicado. Não dá para se ouvir uma peça de Bach, Messiaen ou a Terceira Sinfonia de Saint-Saens tocado por um órgão que não seja de tubos.
Hoje, instrumentos de teclado portáteis e bons são comuns e produzem sons muito próximos aos do órgão antigo – chamados, muitas vezes de órgão de igreja, pois era onde eram mais encontrados. O Hammond foi criado na década de 1940 e é um instrumento de construção complexa e tem tamanho e pesos consideráveis. Além do instrumento em si, com três fileiras de teclados (incluindo os pedais, que emitem os sons mais graves), possui uma caixa onde é gerado o som, uma engenhoca analógica muito complexa. A própria Hammond produziu modelos mais leves e simples, mas o modelo B3 ficou como o preferido de dez entre dez organistas e, hoje, ainda mantém a mística.
Quando se fala em Hammond, a primeira lembrança é Jimmy Smith, falecido em 2005. Tive a sorte de vê-lo tocar alguns anos antes. Joey DeFrancesco é, no jazz, um dos mais conhecidos. Excelente no B3, toca trumpete também e registrou muitos discos pela Sony Columbia, Concord e HighNote. Gravou, inclusive, com seu ídolo, Jimmy Smith. Nascido em 1970, com menos de vinte gravou o primeiro solo (All of Me, 1989). Era um rapaz magrinho que usava óculos grandes. Hoje, deve ter um pouco menos que 200 quilos e os óculos continuam grandes. O tamanho impressiona, quase tanto quanto a sua energia e talento.
O álbum em que registra Caruso é seu mais recente. Chama-se 40 (precisa explicar por que?). DeFrancesco é acompanhado apenas por um guitarrista e um baterista.. Organistas podem fazer a linha do baixo na pedaleira que fica na base do instrumento e, muitos não sentem necessidade de um contrabaixista. É sempre interessante ver a performance de um organista. Dançam, literalmente, pois tocam com as mãos e os pés ao mesmo tempo..
Bom, basta de conversa. Vamos ouvir o Caruso, com Joey DeFrancesco.
Os órgãos elétricos (ou eletrônicos?) surgiram por uma razão muito prática, imagino: são grandes e não são transportáveis. O som é inigualável e impossível de ser replicado. Não dá para se ouvir uma peça de Bach, Messiaen ou a Terceira Sinfonia de Saint-Saens tocado por um órgão que não seja de tubos.
Hoje, instrumentos de teclado portáteis e bons são comuns e produzem sons muito próximos aos do órgão antigo – chamados, muitas vezes de órgão de igreja, pois era onde eram mais encontrados. O Hammond foi criado na década de 1940 e é um instrumento de construção complexa e tem tamanho e pesos consideráveis. Além do instrumento em si, com três fileiras de teclados (incluindo os pedais, que emitem os sons mais graves), possui uma caixa onde é gerado o som, uma engenhoca analógica muito complexa. A própria Hammond produziu modelos mais leves e simples, mas o modelo B3 ficou como o preferido de dez entre dez organistas e, hoje, ainda mantém a mística.
Quando se fala em Hammond, a primeira lembrança é Jimmy Smith, falecido em 2005. Tive a sorte de vê-lo tocar alguns anos antes. Joey DeFrancesco é, no jazz, um dos mais conhecidos. Excelente no B3, toca trumpete também e registrou muitos discos pela Sony Columbia, Concord e HighNote. Gravou, inclusive, com seu ídolo, Jimmy Smith. Nascido em 1970, com menos de vinte gravou o primeiro solo (All of Me, 1989). Era um rapaz magrinho que usava óculos grandes. Hoje, deve ter um pouco menos que 200 quilos e os óculos continuam grandes. O tamanho impressiona, quase tanto quanto a sua energia e talento.
O álbum em que registra Caruso é seu mais recente. Chama-se 40 (precisa explicar por que?). DeFrancesco é acompanhado apenas por um guitarrista e um baterista.. Organistas podem fazer a linha do baixo na pedaleira que fica na base do instrumento e, muitos não sentem necessidade de um contrabaixista. É sempre interessante ver a performance de um organista. Dançam, literalmente, pois tocam com as mãos e os pés ao mesmo tempo..
Bom, basta de conversa. Vamos ouvir o Caruso, com Joey DeFrancesco.


Nenhum comentário:
Postar um comentário