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| Robeson, em PB, e Warfield, abaixo |
O Show Boat original, como aconteceu com boa parte dos musicais no cinema, é de 1927, e teve sua primeira representação no teatro. Com música de Richard Rodgers e letras de Oscar Hammerstein II, deixou como legado canções como Make Believe, Can’t Help Lovin’ dat Man e Ol’ Man River.
Esta última, em sua primeira versão cinematográfica, foi cantada por Paul Robeson. No ritmo em que é cantado, perde-se um pouco o tom dramático da letra. Se essa é uma das primeiras, é possível que tenha sido pensada para ser nesse andamento mesmo.
Quando Robeson foi escolhido para o papel de Joe, já era bem conhecido. Pelo aspecto do talento musical, nem há o que se discutir. Robeson era um negro bonito, de porte atlético (jogou futebol americano, profissionalmente), estudou Direito na Universidade de Columbia e, como ator, atuou em Othello, o Mouro de Veneza (nem precisou passar tinta no rosto), de William Shakespeare, no teatro, e atuou em vários filmes. Apesar de todos esses dotes, o maior era a voz de baixo/barítono. O mais importante, no entanto, foi o seu papel na sociedade americana como uma das pontas de lança da luta contra a segregação racial e sua militância em favor dos direitos civis. Politicamente engajado, foi do Partido Comunista americano, e, naturalmente, foi perseguido pelo macarthismo.
No Show Boat de 1951, o papel de Joe foi de outro baixo: William Warfield. Na cena em que Paul Robeson canta Ol’ Man River, Robeson está sentado, enquanto são mostradas imagens relacionadas à letra, e o coro está em cena. A cena, na refilmagem, é noturna e é cantada em ritmo mais lento, do que potencializa sua dramaticidade.
Ol’ Man River foi cantada por Bing Crosby e Frank Sinatra. No mundo pop, essa canção de temática negra, foi cantada por Sam Cooke, Aretha Franklin e Ray Charles. Curiosamente, uma das melhores interpretações é a do branco Rod Stewart, em início de carreira, crooner da banda do britânico Jeff Beck.
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| Jeff Beck e Rod Stewart em reencontro |
Stewart, com sua voz, ao mesmo tempo, áspera e rouca (em tempos menos politicamente corretos, dizia-se que era uma voz branca de alma negra) brilha em faixas como You Shook Me e Rock My Plimsoul; mas se supera em Ol’ Man River. Que Sinatra me perdoe: é a minha preferida. Tudo é perfeito: o órgão de Nick Hopkins, os tímpanos de Keith Moon e, também a guitarra de Jeff Beck.
Ouça.
A de 1936 é cantada pelo grande Paul Robeson.
A do segundo Show Boat.


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