terça-feira, 4 de outubro de 2011

O clássico da Noviça Rebelde por Eric Alexander

Alexander e seu tenor
My Favorite Things, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, faz parte do musical A Noviça Rebelde; é de 1959. Quando, em 1961, John Coltrane gravou essa canção em longos 14 minutos no disco de mesmo título pela gravadora Atlantic, imediatamente, tornou-a um clássico. Quando os long-play (LP) substituiram os discos de 7 e 10 polegadas, abriu-se a possibilidade de se registrarem performances mais longas, coisa antes circunscrita às apresentações ao vivo.

Coltrane foi participante e protagonista das várias transformações que aconteceram no jazz a partir dos anos 1950. Tocou com Dizzy Gillespie no início da carreira e entrou para o grupo de Miles Davis em 1955. Não ficou muito tempo em decorrência de um problema que afligia boa parte dos melhores músicos de jazz da época: as drogas. Mesmo assim, continuou na ativa gravando discos para o selo Prestige e tocando com Thelonious Monk. Foi um aprendizado e tanto. Segundo Coltrane, “ele me mostrou as respostas tocando-as… Monk foi um dos primeiros a me mostrar como tocar duas ou três notas ao mesmo tempo no tenor.” Era o início da consolidação do estilo que o crítico Ira Glitter chamou de “sheets of sound”.

Quando voltou ao grupo de Miles, em 1958, era outro Coltrane. Em quatro sessões, uma em 26 de maio de 1958 das 19 às 22h; em 2 de março de 1959, das 14h30 às 17h30; e outra das 19 às 22h; em 22 de abril, das 14h30 às 17h30, nos estúdios da Columbia gravaram um dos melhores discos de todos os tempos: Kind of Blue.

No mesmo ano de 1959, assinou um contrato com a Atlantic Records e gravou Giant Steps, Coltrane Jazz, My Favorite Things, Olé Coltrane, Coltrane’s Sound (lançado em 1964), e Coltrane’s Blues (lançado em 1962), como líder.

Nos discos gravados pela Atlantic passou a tocar o sax soprano também, instrumento consagrado por Sidney Bechet, e que, praticamante, havia deixado de ser usado no jazz. A execução de My Favorite Things no sax soprano foi o perfeito exemplo das novas possibilidades de improvisação que esse instrumento abriu para o que Coltrane vislumbrava.

Pode-se dizer que Coltrane “inventou” o tema de My Favorite Things para o jazz. Seu início com o piano de McCoy Tyner, o longo solo de Coltrane e a bateria “drum machine” de Elvin Jones são inesquecíveis e são referências para qualquer interpretação posterior.

É o que sucede com a brilhante interpretação de Eric Alexander. David Hazeltine, no acompanhamento, segue as mesmas linhas melódicas de McCoy Tyner. Alexander era um dos saxofonistas preferidos do amigo Carlos Conde (ele detestava Ben Webster, um dos meus ídolos). Foi por ele que o descobri. Assistimos a uma apresentação de Alexander em um festival de jazz há alguns anos. O tenorista navega com desenvoltura em andamentos lentos – como na série Gentle Ballads, pela gravadora japonesa Venus – com performances mais uptempo, caso de My Favorite Things, que você vai ouvir agora. Tem como sidemen, além de Hazeltine, do baixista John Webber e do baterista Joe Fansworth.




Ouça o clássico de Coltrane em apresentação para uma emissora de TV.

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