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| Nancy King é a típica cantora das cantoras |
King é uma cantora cult. Apesar de ter nascido em 1940 (em 15 de junho completa 71 anos), gravou pouco. O guitarrista Herb Ellis, falecido no ano passado, considerava-a “a maior cantora de jazz”. Apesar da admiração de seus pares, por morar há tempos em Portland e, portanto, fora do circuito do glamour de Nova York ou Los Angeles, não é muito conhecida. Mas vale conhecê-la.
Depois de ter cursado a Universidade do Oregon, começou a cantar e tocava bateria com seus colegas o violonista Ralph Towner e o baixista Glen Moore, que mais tarde formariam o lendário Oregon, banda de formação pouco ortodoxa (além dos dois, os outros componentes eram o percussionista e citarista Colin Walcott e o oboísta, clarinetista Paul McCandless) e de som mais próximo ao “third stream jazz” – uma tendência que se aproximava à música erudita.
Em San Francisco tocou na banda de Pony Pointdexter e com Sonny King. Com dois filhos de colo mudou-se para Helena, Montana, e andou cantando em Las Vegas. Foi para Los Angeles, mas com o nascimento do terceiro filho, preferiu voltar para o Oregon. Em 1978, gravou seu primeiro disco – First Date – com o conterrâneo Steve Wolf, o trumpetista Jack Sheldon, o pianista Frank Strazzeri e o baixista Ray Brown. Iniciou uma parceria regular com o pianista Steve Christofferson no fim dos anos 1970. Em 1995, com o pianista e a The Metropole Orchestra gravaram Straight into Your Heart. Em 1991, gravou Impending Bloom, com o antigo colega de faculdade Glen Moore. Esses dois álbuns apresentam King em sua melhor forma.
O pianista Fred Hersh ouviu Nancy cantar, pela primeira vez, na casa de outro pianista – Art Lande (esse é subvalorizado, mas tem um sentido melódico excepcional). Apesar da promessa de um dia gravarem um disco, tudo ficou no ar, mas aconteceu, posteriormente, de terem a oportunidade de se apresentarem num projeto de duos que aconteceria no Jazz Standard, em Nova York. O registro saiu pela gravadora MaxJazz em 2005. É uma coleção de standards num clima de clube mesmo, intimista. O destaque é I Fall in Love Too Easily. As interpretações de King são bem jazzísticas, com direito a muitos scats e improvisos vocais, que podem não agradar a todo o mundo, mas é um bom demonstrativo de sua versatilidade.
Ouça Nancy cantando Inútil Paisagem (Useless Landscape), incluída em Impending Bloom, de 1995.
Disponibilizo uma apresentação curiosa de King cantando O Pato, com Karrin Allyson, disponível no YouTube. As duas têm se apresentado juntas e Allyson é fã incondicional de King. Veja.
King canta Cheek to Cheek.

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