quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jim Tomlinson é o homem por trás de Stacey Kent

Há um ditado em que se diz que “a mulher faz o homem”. Correto? Sim. Mais correto, talvez, fosse dizer que os gêneros se complementam. Tanto a mulher como o homem “fazem” seus pares. Como a parceria de Jim Tomlinson e Stacey Kent é anterior à consagração desta, muito da concepção sonora é do marido. O que faz parecer que a parceria na vida real é simbiótica com a carreira musical.

Kent se mudou para a Inglatera com o propósito de estudar. Conheceu Jim, que era músico. Esse dado contribuiu para que se revelasse a intérprete que, em princípio, seguiria uma carreira acadêmica com especialização em literatura comparada.

Desde o primeiro álbum solo, Kent é acompanhada pelo marido, não apenas como instrumentista, mas como seu produtor musical. E se observarmos um pouco mais, veremos que a formatação musical continua a mesma. Ao trio piano/baixo/bateria são acrescentados o saxofone de Jim e um guitarrista, que dão um molho especial à base sonora que acompanha a cantora. Não é uma banda de destaques; ninguém sobrepuja o outro em aventuras improvisativas. O sax é correto, o piano é belo, e acordes parcimoniosos de guitarra dão um colorido especial à voz pequena e afinada de Kent.

Aparentemente, Jim resolveu fazer o papel do coadjuvante, deixando que Stacey brilhe. Deve ser uma escolha e menos uma imposição. O que é belo nessa história toda, pelo menos para quem vê de fora, é a perfeita combinação entre eles, uma conjunção de interesses, tanto na vida pessoal como na profissional.

Foi bastante divulgada na imprensa brasileira, por conta das várias vindas do casal ao Brasil, o interesse de Kent em aprender a língua portuguesa. E vemos que essa curiosidade é comum e está estampada no repertório de Brazilian Sketches, de Jim Tomlinson. Antes de Kent ter registrado alguma canção brasileira nos seus discos solos, Jim o tinha feito anteriormente.

Percebe-se também, ao se prestar atenção na discografia de ambos, que, apesar de a estrela da casa ser Stacey, é notório que sem Jim não existirira a intérprete como a conhecemos. A conclusão é a de que ela não seria quem é sem ele. Por isso, vemos que o papel de coadjuvante dele é um pouco circunstancial.

Ouça a brasileiríssima Dreamer (Vivo Sonhando).


Tomlinson é um bom saxofonista. Possui influências de Stan Getz, outro “brasilianista”. Nessa apresentação fica claro que, mesmo que não tivesse conhecido Kent, teria destaque.

 

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