Quem disse que Beethoven não combina com Lennon & McCartney?
A música é tão universal que qualquer linguagem pode se misturar e dar um bom caldo. Não conhecia e me surpreendi com o mix que o pianista inglês Derek Smith faz. Da mesma forma de que existem tecladistas notáveis sem aprendizado formal em música, como o maravilhoso Erroll Garner, há um bocado de pianistas do jazz que começou o aprendizado exercitando-se com o Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach. Quem segue a carreira de virtuose como Nelson Freire, Sviatoslav Richter, e outras centenas de grandes intérpretes sentem-se “engessados” ao improvisar; no jazz acontece o contrário: a qualidade deles é a capacidade de improvisarem sobre os temas.
Derek Smith
Como tal fato não é “fato deveras”, muitos músicos do jazz se aventuram em tocar sobre temas clássicos, como fazem o pianista Steve Kuhn ou o guitarrista Larry Coryell. Alguns transitam ou transitaram entre os dois mundos sem nenhum problema. É o caso do uruguaio Federico Brittos (sobre ele, leia xxxxxxx) ou do clarinetista Benny Goodman, que mereceu músicas especialmente compostas por Stravinsky e Aaron Copland. Bem, esse é um tema que abordarei em uma próxima vez, em que disponibilizarei interpretações de jazzistas tocando Ravel, Debussy, Satie e outros.
Imaginar uma composição mesclando a Sonata Nº14, op.27 Nr. 2, de Beethoven, conhecida como “Moonlight”, com Yesterday, de Lennon e McCartney, seria inimaginável caso não existisse na interpretação de Derek Smith, lançada no disco To Love Again, da gravadora japonesa Venus. É o que você irá ouvir. Casualmente, Smith tocou com Benny Goodman.
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