![]() |
| Denise Donatelli |
Outro recurso interessante é diferenciar-se nos arranjos, fugindo um pouco do formato piano, baixo e bateria. É o caso de Denise Donatelli. Em seu terceiro disco, When Lights Are Low, para cada faixa gravada há um diferencial. O responsável, em parte, por isso, é a associação com Geoff Keezer (http://bit.ly/gY6cyA), pianista, arranjador e produtor desse disco. É o segundo álbum gravado pela Savant Records, e o segundo com Keezer.
Donatelli nasceu num lugar ermo, zona rural, fora da cidade, no estado da Pensilvânia. Graças à “família musical”, aprendeu piano desde criança. Os quinze anos de aprendizado são um bom background para uma das melhores qualidades dela: o senso rítmico, boa colocação de voz, entonação impecável. Tem um domínio do canto que encanta os músicos de jazz. E isso não é razão para ficar em scats desnecessários como o de algumas intérpretes que, para parecerem “jazzísticas”, usam desses recursos de forma equivocada. Ninguém é Ella Fitzgerald ou Betty Carter apenas porque faz scats.
Denise, antes de abraçar a carreira de cantora, foi dona de casa. Sem deméritos. Preferiu criar os filhos primeiro. Quando tinha resolvido se tornar uma cantora profissional, uma vez, quando já morava em Atlanta, arriscou cantar em uma apresentação do guitarrista Russell Malone (para quem não o conhece, antecedeu Anthony Wilson na banda de Diana Krall). Apresentava-se, três vezes por mês no Ritz Carlton. Freddy Cole era frequentador assíduo e tornouse amigo dela. Mais tarde, foi apresentada, pormeio de um amigo em comum, a Neal Hefti. Foi o empurrão que faltava. Gravou o primeiro disco: In the Company of Friends.
O “pulo” foi conhecer Geoff Keezer. Em When Lights Are Low (2010), alterna standards como It’s You or No One (J. Styne / S. Cahn), Don’t Explain (Billie Holiday / A. Herzog), I Wish I Were in Love Again (Lorenz Hart / Richard Rodgers), canções mais contemporâneas como Big Lie, Small World (Sting), e inclui os brasileiros Ivan Lins [Kisses (Cantor da Noite)], e Roberto Menescal (The Telephone Song), aliás muito boa e uma amostra de que sabe cantar com balanço. Em Telefone, é acompanhada apenas pelo violão de Peter Sprague e Jon Wikan, no pandeiro.
Para cada canção, Keezer tem uma concepção diferente. A primeira – It’s You or No One – é básica, acompanhada por um trio mais a guitarrra, mas é uma boa introdução para mostrar as habilidades vocais de Donatelli e o piano de Geoff. A segunda faixa é um Don’t Explain excepcional. Entra a originalidade do arranjo. A música é tão conhecida e tão gravada que, fazer algo sobre o tão explorado, é o que faz Geoff, acrescentando o flugelhorn (Ingrid Jansen), três violas, um contrabaixo e um violoncelo.
Keezer tem outras cartas na manga: em Big Lie, Small World, Julia Dollison e Kerry Marsh fazem um belo vocal que lembra em muito as harmonias do Singers Unlimited. Forward, Like So tem a intervenção, novamente de Julia (compositora dessa canção) e Kenny Marsh, com o acréscimo de Keezer tocando o Fender Rhodes.
Vale conhecer Denise Donatelli. Veja o video disponibilizado por sua gravadora Savant.


Nenhum comentário:
Postar um comentário