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| Charles Lloyd, sempre de óculos |
Mais esquisito é porque seu disco gravado na Atlantic – Forest Flower (1966) – vendeu mais de um milhão, cifra excepcional no jazz, principalmente, na década de 1960, quando houve a explosão do rock (Beatles, The Rolling Stones, Jimi Hendrix, etc.). Nesse disco é acompanhado por um time de “iniciantes” de primeira: Keith Jarrett, Cecil McBee no baixo, e Jack DeJohnette na bateria. De volta à cena, levado à ECM por Jarrett, gravou esparsamente, sempre em registros ao vivo – Montreux ’82 (Elektra Musician), e A Night in Copenhagen (Blue Note, 1982). Nesse meio-tempo, andou gravando com a banda folk-rock californiana Beach Boys, Roger McGuinn, The Doors e Canned Heat.
Nos 15 CDs gravados pela ECM, quase todos são irrepreensíveis. Um plantel de músicos de primeira e de estilos únicos tem sido seus sidemen. Nos dois últimos – Rabo de Nube (2008) e Mirror (2010) – o quarteto é formado pelo baixista Reuben Rogers, o baterista Eric Harland, e pelo brilhante Jason Moran. O pianista faz diferença; é um dos cinco melhores em atividade. Como acompanhante no quarteto de Lloyd “pega menos pesado” do que em suas aventuras como líder. Em perfeita harmonia com o saxofonista, produz sons melódicos e belos. É que, no fundo, Lloyd não mudou muito. É adepto da música modal, seu negócio não é tocar “sheets of sound”, e, na falta de melhor expressão, produz um som espiritualizado. Lembra um pouco o John Coltrane dos anos 1960.
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| Mirror (ECM), só importado |
É bem possível que ocorra o mesmo com o mais recente Mirror. É um disco tão bom quanto o anterior. É reflexivo e, dessa vez, tem vários standards: I Fall in Love Too Easily, Go Down Moses, Monk’s Mood, e Ruby, My Dear. Tem mais uma, para relembrar de seus “tempos flower power”: Carolina No, dos Beach Boys. A curiosidade é que Lloyd nunca lembrou tanto John Coltrane. Sem deméritos, há horas em que suas linhas de improviso são puro Coltrane. Como diria o grande Emerson Fittipaldi, “eu recomendo”.
Ouça a bela La Llorona.


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