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| A perfeita combinação: Pastorius e Mitchell |
A outra música em que Jaco dá um verdadeiro show é Hejira, em que se ouvem além dele, o violão de Joni e a percussão quase imperceptível de Bobbye Hall e algumas notas – perfeitas – da clarineta de Abe Most. A outra da qual Pastorius participa é a última do disco: Refuge of the Roads.
A parceria Pastorius/Mitchell continuaria em outros dois álbuns: Don Juan’s Reckless Daughter (1977), Mingus (1979) e Shadows and Lights (1980). A combinação atinge o auge em Don Juan’s. Nesse disco, o mais ambicioso de Joni, flerta com o jazz, com ritmos latino-americanos e orquestrações do mestre Michael Gibbs. Além de Jaco tocando na maioria das faixas, há participações de Wayne Shorter no sax e Alex Acuña, Airto Moreira, Don Alias e Manolo Badrena nas percussões.
O mais impressionante é o que Pastorius faz na música título, Don Juan’s Reckless Daughter. Com a palma da mão golpeia as cordas do baixo deslizando-a de cima até em baixo fazendo um som que, onomatopaicamente, é um du du du doom, du du du doom, durante os cinco minutos da música. Depois de três minutos, a palma da mão estava em carne viva.
Mingus foi o álbum em que Joni Mitchell presta um tributo a um dos maiores baixistas de todos os tempos do jazz. Há, inclusive, uma “participação especial” de Charles Mingus. Nessa época, encontrava-se preso a uma cadeira de rodas e vivia no México com sua mulher. Ela, Sue Graham Mingus, permitiu que Joni usasse uma fita em que foi gravado um “Parabéns a Você” em algumas partes do disco. Mingus é um álbum mais orientado ao jazz, por conta do objeto do tributo. Participam, além de Pastorius, Wayne Shorter, Herbie Hancock, o baterista Peter Erskine (ex-Weather Report), Don Alias e Emil Richards na percussão.
Depois desse disco, Pastorius participou da turnê que resultou no DVD Shadows and Lights. As participações são mais que especiais: Wayne Shorter, Randy Brecker (sax-tenor), Pat Metheny (guitarra), Don Alias (bateria e percussão), Lyle Mays (teclados), e o grupo vocal The Persuations. Pastorius foi o diretor musical desse projeto. O registro em DVD é item essencial na prateleira dos amantes da boa música.
Em um relato para a Musician Magazine, em 1987, Mitchell disse que Pastorius era arrogante e ciente do enorme talento que tinha. Ele dizia “Eu sou o máximo. Não sou de me gabar. Só estou dizendo a verdade.” Essa arrogância e o uso da cocaína e do álcool corroeram-lhe o seu talento e a inspiração.
Anos depois, Joni tinha ido à abertura de uma exposição em Nova York. Havia um pequeno restaurante na mesma rua anunciando “Jaco Pastorius Tonight”. Foi vê-lo. Na apresentação, Jaco, ao vê-la, não parava de dizer: Joni Mitchell é o máximo! Ela é a única “isso”, é a única “aquilo”, a ponto de ficar constrangedor. As poucas pessoas no clube também ficaram constrangidas. Joni subiu ao palco, mas deu tudo errado. Foi frustrante.
Em 11 de setembro de 1987, arrumou encrenca com o gerente de um clube na Florida, e na briga, sofreu traumatismo craniano, morrendo dez dias depois. Tinha 36 anos.
Veja Joni e Jaco em The Dry Cleaner from Des Moines, do show Shadows and Lights.

Amei!!! Ouvia MUITO todos esse discos.Tinha todos. Vinyl! E na minha vida já "furei o disco" de ouvir 'Dry Cleaner from Des Moines". O Jaco ARRAAAASA no baixo nessa musica!
ResponderExcluirSabia que o Pedro conheceu o Pastorius uma noite lá no Tomkins Park? Early eighties.....
bjs