terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A guia de António Zambujo

Pelo jeito, o alentejano chamado António vende bem no Brasil. Depois de lançado Outro Sentido (leia sobre esse CD em http://bit.ly/gyzkif), em 2009, no fim de 2010, pelo selo M,PB, da Universal, saiu Guia.

A capa do CD lançado no Brasil
As surpresas positivas continuam. Tem algo de minimalista em Zambujo. Tem algo de dramático, dolorido no fado. Não conheço tanto o fado a ponto de saber se ele segue uma – como diria Augusto de Campos – trilha evolutiva desse gênero. Guia é tão bom ou melhor que o anterior. São surpresas e mais surpresas.

Seu canto “lamenta e chora” distâncias a serem vencidas (“Atravessei o oceano/ Sem o teu amor de guia/ Só o tempo no meu bolso/ E o vento que me seguia// Venci colinas de lágrimas/ Desertos de água fria/ Tempestades de lembranças/ Mas tu já não me querias mais/ Tu já não me querias mais.” Guia, Pierre Ademe e Márcio Faraco), súplicas de arrepenimento (Meu amor não vás embora/ Vê a vida como chora/ Como é triste esta canção/ Não, eu peço/ não te ausentes/ Pois a dor que agora sentes / Só se esquece no perdão”  – Apelo, Vinícius de Moraes e Baden Powell); amores idealizados (“Queria ser teu namorado,/ Morar dentro dos teus olhos;/ Perder-me nos teus folhos/ Do teu vestido encarnado” – A Tua Frieza Gela, Maria do Rosário Pedreira e António Zambujo –, ou “A deusa da minha rua/ Tem os olhos onde a lua/ Costuma-se embriagar/ Nos seus olhos eu suponho/ Que o sol, num dourado sonho,/ Vai claridade buscar.” – A Deusa da Minha Rua, Jorge Faraj e Newton Teixeira); desencanto (O amor é inútil: luz das estrelas/ A ninguém aquece ou ilumina/ E se nos chama, a chama delas/ Logo no céu lasso declina.// O amor é sem préstimo: clarão/ Na tempestade, depressa se apaga/ E é maior depois a escuridão,/ Noite sem fim, vaga após vaga.” – Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa e Ricardo Cruz).

Guia é um CD que, quanto mais se ouve, mais se quer ouvir. Ouça a belíssima Quase um Fado (Rodrigo Maranhão). A letra também é belíssima: “Trago no peito segredos, amores confessos, ocultos desejos,/ O tempo apressado, o beijo partido,/ Inteiro aos pedaços da vida, eu duvido./ Trago no peito um segredo dos mares que desafio.// Trago no peito meu mundo, fagulha, centelha, amor vagabundo/ Que bate calado o seu bate-fundo,/ E sempre navega pro mesmo lugar./ Trago no peito o segredo dos mares por navegar.”




Veja e ouça Guia.

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