quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Diana Krall que poucos conhecem

O título capcioso não serve para revelar algum segredo ou fato obscuro da vida de Diana Krall, e muito menos, do marido Elvis Costello. É claro que, não sendo Elvis um modelo de beleza, e Krall, bela e talentosa como é – muitos acham que poderia ter arrumado um homem mais “aprumado” –, o casal é alvo de fofocas e maledicências. Já se disse até que o casamento é de fachada (a exemplo da união de Tom Cruise e Nicole Kidman) e que os filhos gêmeos são de proveta.

Costello e Diana: um casal feliz
Existe gente que não o acha talentoso; mas, de fato, é. Costello participou de algumas pequenas “revoluções” da música. Passou pelo punk, country, folk, new wave, rockabilly, sempre adicionando alguma novidade. É autor de Shipbuilding e Almost Blue. Não precisava fazer mais nada. Elvis tem o “desassossego” dos grandes artistas, é um subversivo, enfim. Foi a Nashville e lá gravou um disco country (fãs e desafetos devem ter torcido o nariz), colaborou em disco do trumpetista cult Chet Baker, associou-se a intérpretes geniais como Robert Wyatt, gravou com Burt Bacharach (um escândalo; Elvis fazendo música easy listening?), gravou discos com uma das melhores mezzo-sopranos da atualidade –Anne Sofie von Otter –, compôs música para balé (Il Sogno), ambos pela mais prestigiada gravadora de música erudita, a Deutsche Grammophon. Não é pouco, não.

Faz parte dos meus roteiros turísticos entrar em lojas que vendem CDs e DVDs. Meio pobre, não? Quando se viaja, deve-se incluir visitas a museus, sítios arqueológicos, espetáculos de música, restaurantes etc. Minha pobreza de espírito e falta de refinamento cultural me empurram para o consumo, principalmente de discos. Quando vou a Nova York, passo por, pelo menos, duas lojas por dia. É uma pena que estejam desaparecendo. Terei de arrumar outras coisas para fazer. Ouvi muito dizerem que, se você vai a Nova York e não vê um musical da Broadway, efetivamente, você não foi a Nova York. Passei dessa fase e depois, acho os ingressos caríssimos. Quase dormi em Cats. Duas filas atrás um japonês roncava, virado de boca aberta para cima. Tive até inveja dele, mas como é que iria dizer aos amigos que tinha achado Cats chata? Aqueles efeitos de um helicóptero descendo em pleno palco ou um lustre descer a toda a velocidade não se sabe de onde, tudo isso não me impressiona. Prefiro passar horas no MoMA e no Metropolitan e depois passar numa Borders, Barnes & Noble, Rizzolli, J&R ou na minha preferida, a Jazz Record Center (sobre a loja, leia http://bit.ly/hYoeP5), que fica escondido num prédio no lado oeste da metrópole.

Pois, em Paris, em 1995, como não conhecia o La Défense, e não era a primeira vez que visitava a cidade, em razão dos clamores de meus companheiros arquitetos, fui até lá. É a parte “muderna” de Paris. Há um grande arco que, visualmente, “abriga” o velho Arco do Triunfo: dá uma linha reta que corre pela Champs Elisées. É a sede do mercado financeiro. Na frieza de sua arquitetura, encontrei uma loja Fnac. Enquanto remexia nas bancadas dos CDs, no setor de jazz, o som que tocavam naquela hora chamou-me a atenção. Fiquei curioso de saber quem era o pianista. Logo mais, ouço uma voz familiar. Era a de Diana Krall. Não tinha essa fama que tem agora. Diana era uma espécie de “segredo bem guardado” de alguns aficionados de jazz. Desde o primeiro que comprara – Only Trust Your Heart – a canadense chamou-me a atenção, pelo piano que lembrava Nat King Cole, pela beleza e pela voz.

Turn Up the Quiet foi lançado em 1996
Falo, no máximo umas vinte palavras em francês, todas relacionadas a comida. Na França, a amiga Vania deu algumas dicas. Uma delas era a de que sempre se usa artigo antes do substantivo. Por exemplo, se fosse pedir água, em vez de dizer “eau”, deveria dizer “l’eau”. Quem viu Pulp Fiction deve lembrar da cena em que John Travolta explica a Samuel L. Jackson que, para se pedir um Big Mac na França, deve-se dizer “Le” Big Mac. Hilariante. Graças a essa lição básica, em vez de pedir a Perrier, um pouco gasosa demais para o meu gosto, podia pedir a “l’eau Badoit, s'il vous plaît”, a minha preferida. Quando tinha de falar com ela, fui instruído a dizer ao telefone: “Vaniá, si vu plé”

Por conta da dificuldade em comunicar-me na língua de Flaubert e Proust, demorei-me uns dez minutos para tomar coragem e abordar um atendente. Solícito, mostrou-me o CD. Era de um pianista que não conhecia: Geoff Keezer (depois, descobri que possuía um disco de Art Blakey, em que tocava). Em inglês, disse-lhe que queria comprá-lo. Ele disse que não podia vender pois era uma amostra para os lojistas e iria estar disponibilizado apenas no começo de outubro. Era setembro e, em poucos dias voltaria ao Brasil. Saí frustrado da loja.

De volta ao Brasil, tempos depois, fui ter com o Odair – grande Odair!, a quem conhecia desde os tempos em que era gerente da melhor loja de discos importados entre os anos 1970 e 80, o Museu do Disco e nessa época, trabalhava numa loja próxima ao Colégio Dante Alighieri. Os catálogos ainda eram impressos (verdadeiros catataus em papel jornal) e não disponibilizados pela internet como hoje. Bom, resumindo, o disco foi lançado uns seis ou sete meses depois. Acho que foi o disco mais esperado daquele 1996.

É desse belo disco que você vai ouvir Love Dance, de Ivan Lins.

2 comentários:

  1. Sou suspeito pra falar de Diana Krall. Sou fã de carteirinha, outra que eu gosto muito é a Laura Figy.

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  2. Excelente pianista e interpetre com sua suave e doce. Diana kral e afro no seu lindo toque de piano jazz. Sou admirador e colega pianista.

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