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| Costello e Diana: um casal feliz |
Faz parte dos meus roteiros turísticos entrar em lojas que vendem CDs e DVDs. Meio pobre, não? Quando se viaja, deve-se incluir visitas a museus, sítios arqueológicos, espetáculos de música, restaurantes etc. Minha pobreza de espírito e falta de refinamento cultural me empurram para o consumo, principalmente de discos. Quando vou a Nova York, passo por, pelo menos, duas lojas por dia. É uma pena que estejam desaparecendo. Terei de arrumar outras coisas para fazer. Ouvi muito dizerem que, se você vai a Nova York e não vê um musical da Broadway, efetivamente, você não foi a Nova York. Passei dessa fase e depois, acho os ingressos caríssimos. Quase dormi em Cats. Duas filas atrás um japonês roncava, virado de boca aberta para cima. Tive até inveja dele, mas como é que iria dizer aos amigos que tinha achado Cats chata? Aqueles efeitos de um helicóptero descendo em pleno palco ou um lustre descer a toda a velocidade não se sabe de onde, tudo isso não me impressiona. Prefiro passar horas no MoMA e no Metropolitan e depois passar numa Borders, Barnes & Noble, Rizzolli, J&R ou na minha preferida, a Jazz Record Center (sobre a loja, leia http://bit.ly/hYoeP5), que fica escondido num prédio no lado oeste da metrópole.
Pois, em Paris, em 1995, como não conhecia o La Défense, e não era a primeira vez que visitava a cidade, em razão dos clamores de meus companheiros arquitetos, fui até lá. É a parte “muderna” de Paris. Há um grande arco que, visualmente, “abriga” o velho Arco do Triunfo: dá uma linha reta que corre pela Champs Elisées. É a sede do mercado financeiro. Na frieza de sua arquitetura, encontrei uma loja Fnac. Enquanto remexia nas bancadas dos CDs, no setor de jazz, o som que tocavam naquela hora chamou-me a atenção. Fiquei curioso de saber quem era o pianista. Logo mais, ouço uma voz familiar. Era a de Diana Krall. Não tinha essa fama que tem agora. Diana era uma espécie de “segredo bem guardado” de alguns aficionados de jazz. Desde o primeiro que comprara – Only Trust Your Heart – a canadense chamou-me a atenção, pelo piano que lembrava Nat King Cole, pela beleza e pela voz.
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| Turn Up the Quiet foi lançado em 1996 |
Por conta da dificuldade em comunicar-me na língua de Flaubert e Proust, demorei-me uns dez minutos para tomar coragem e abordar um atendente. Solícito, mostrou-me o CD. Era de um pianista que não conhecia: Geoff Keezer (depois, descobri que possuía um disco de Art Blakey, em que tocava). Em inglês, disse-lhe que queria comprá-lo. Ele disse que não podia vender pois era uma amostra para os lojistas e iria estar disponibilizado apenas no começo de outubro. Era setembro e, em poucos dias voltaria ao Brasil. Saí frustrado da loja.
De volta ao Brasil, tempos depois, fui ter com o Odair – grande Odair!, a quem conhecia desde os tempos em que era gerente da melhor loja de discos importados entre os anos 1970 e 80, o Museu do Disco e nessa época, trabalhava numa loja próxima ao Colégio Dante Alighieri. Os catálogos ainda eram impressos (verdadeiros catataus em papel jornal) e não disponibilizados pela internet como hoje. Bom, resumindo, o disco foi lançado uns seis ou sete meses depois. Acho que foi o disco mais esperado daquele 1996.
É desse belo disco que você vai ouvir Love Dance, de Ivan Lins.


Sou suspeito pra falar de Diana Krall. Sou fã de carteirinha, outra que eu gosto muito é a Laura Figy.
ResponderExcluirExcelente pianista e interpetre com sua suave e doce. Diana kral e afro no seu lindo toque de piano jazz. Sou admirador e colega pianista.
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