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| O CD mais recente de Rogério Caetano |
Curioso é o fato de dois dos bons instrumentistas revelados nos últimos anos serem do Planalto Central. Rogério nasceu em Goiânia e Hamilton de Holanda (carioca) cresceu em Brasília. Interessante também é o número de músicos jovens tocando choro, atualmente. Nos anos 1970, ocorrera um boom desse gênero, com jovens – naquela época – formando conjuntos e tocando em bares. As gravadoras lançavam discos de Waldir Azevedo, Joel Nascimento e Altamiro Carrilho entre tantos outros. Em 1976, Paulinho da Viola lançou dois discos ao mesmo tempo: Cantando e Chorando. Esse último continha apenas choros de antanho e alguns compostos por ele. Acompanhado do pai, o violonista César Farias, do pianista Cristóvão Bastos e do mestre Copinha na flauta e sax, Paulinho fez um disco memorável e, provavelmente, despertou o interesse de muitos jovens que ouviam mais rock que música brasileira. Num belo filme exibido em 1977, Chuvas de Verão, Carlos Diegues encerra-o com a tomada de uma rua de subúrbio e Pedacinho de Céu, de Waldir Azevedo, como fundo sonoro. Nessa cena, Diegues sintetiza algo de muito caro ao gênero choro.
Rogério, além de virtuoso no violão de sete cordas, demonstra ser bom compositor. A primeira faixa, Violão na Gafieira é sua. É vigorosa, daquelas que poderiam ser tocadas numa gafieira. Em Rogerinho no Sete, toca com Maurício Carrilho, autor da música, e com Luciana Rabello no cavaquinho. Em seguida, ouve-se Valsa de Mãezinha, de Caetano e Hamilton, interpretada por ele e Yamandú Costa, ambos no violão de sete cordas. Belíssima. Em Carioquinha da Gema, Hamilton esmerilha no bandolim de 10 cordas e André Vasconcelos, no baixolão, e Rogério no violão, o acompanham. Pintando o Sete e Milena são dois belíssimos solos de violão. Em Saída pela Esquerda, outra composição de Rogério, as cordas (três violões e o cavaquinho) se contrapõem ao som áspero do trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Pontes. Correr com Medo, um tour de force dos dois amigos brasilienses, em ritmo alucinante, fecha esse belo disco que vale a pena ser conhecido. Dino 7 Cordas e Raphael Rabello tem um sucessor à altura.
Veja e ouça Rogério Caetano tocando Samba em Prelúdio, clássico de Vinícius de Moraes e Baden Powell.

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