terça-feira, 9 de novembro de 2010

O encontro de Sérgio Santos, Dori Caymmi e Edu Lobo

Sérgio Santos
Em seu último CD, Litoral e Interior, Sérgio Santos juntou um time invejável: André Mehmari no piano, Teco Cardoso nos saxes e flautas, Rodolfo Stroeter no baixo e Tutty Moreno na bateria, além dos convidados Dori Caymmi, responsável pelos arranjos de Lua e Sol, Ézer Menezes (oboé), Fabio Cury (fagote), Zeca Assumpção (contrabaixo), Jota Moraes (vibrafone), Marcos Suzano (percussão) e Mônica Salmaso cantando Mar, Montanha e Sertão. Os títulos citados, como a música-título, dão uma pista das intenções do mineiro de Varginha (segundo Dori, em uma brincadeira de que Sérgio não gostou nem um pouco, ele é um cruzamento de Milton Nascimento e dele próprio, Dori; só falta descobrir quem é a mãe). Nas notas do encarte o compositor “quis falar sobre diferenças. Mais até do que diferenças, sobre dicotomias, sobre contradições.” Os destaques, além de Lua e Sol, são as composições sem letra, algumas arranjadas pelo próprio Sérgio e outras do pianista André Mehmari, um dos talentos mais completos surgidos nos últimos tempos no Brasil. O Mar Adormece é, simplesmente, fantástico. É densa e climática. Esta e A Montanha Sonha remetem às orquestrações de Urubu, de Antonio Carlos Jobim.

Em São Paulo, no Sesc-Vila Mariana, com os mesmos Mehmari, Teco, Tutty e Rodolfo Stroeter, nos dias 5, 6 e 7 de novembro fez um show impecável. A pretexto de estarem concorrendo pelo Grammy Latino, Dori Caymmi e Edu Lobo eram os convidados especiais.

O primeiro set foi de músicas compostas por Sérgio em parceria com Paulo César Pinheiro. O show foi crescendo até Litoral e Interior e, em Abertura, entrou o primeiro convidado, Dori Caymmi. Beira-mar, de Dori com o “parceiro da humanidade”, segundo ele – o mesmo PCP, letrista da maioria das canções apresentadas – foi o primeiro momento de emoção. O outro convidado entrou no palco, meio sem saber o que fazer com as mãos pois impossibilitado de empunhar seu costumeiro violão devido a um acidente doméstico – caiu em casa, mas jurou que não tinha bebido, já que era de manhã. Com o microfone na mão usando óculos escuros, Edu cantou o clássico Vento Bravo. Bela entrada, ótimo solo de Teco Cardoso. Muitos aplausos. As luzes diminuíram em fade out e ficaram apenas Edu e o pianista. Cantou aquela que, depois das interpretações definitivas de Milton Nascimento e Mônica Salmaso, tornou-se desafio para qualquer um. Mas, já que a composição é sua, ele pode, segundo o próprio. Delírio. Beatriz ficou linda na voz cool de Edu e o piano não menos que maravilhoso. Canta também Corrupião que, com a letra composta pelo “parceiro da humanidade”, virou Dança do Corrupião. No bis, os três fecham com o clássico Desenredo, de Dori e, adivinhe quem é o autor da letra? Perfeito.

Ouça O Mar Adormece.

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