segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A apresentação de Jeff Beck no Via Funchal, SP

Achei que Jeff Beck tinha se apresentado no Brasil antes, mas não. Disse, no show, que ocorreu em 25 de novembro no Via Funchal, ser a primeira vez. As apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo aconteceram por conta do lançamento do último CD Emotion and Commotion. Não o ouvi ainda, mas a crítica tem elogiado o disco, que apresenta algumas canções não exatamente do repertório do rock, como a conhecida ária Nessum dorma, da ópera Turandot, de Puccini, e Over the Rainbow, clássico de Harold Arlen e letra de E.Y. Hayburg. Além da banda, conta com uma orquestra, trilhando a onda que costumam chamar de crossover, atraindo, tanto os “roqueiros” flertando o formato erudito, como o contrário, casos de Yo-Yo Ma e Gidon Kremer, ou de cantoras consagradas no universo clássico como Jessye Norman, Barbara Hendricks, Frederica von Stade… bom, a lista é bem grande. Nessum dorma, por ser um tema belíssimo e tão popular, se não me falha a memória, foram registradas por Branford Marsalis e Grover Washington, músicos ligados ao jazz.

Jeff adora uma roupa sem manga
Em razão da generosidade do meu amigo Jay Horvath, convidado por ele, fui ver o show. Foi uma mescla de alguns sucessos consagrados, como Led Boots, do clássico do fusion, Blow by Blow, de 1974, e músicas do novo CD. Beck iniciou com Plan B, bem pauleira, para esquentar a plateia, que respondeu com entusiasmo. Seguiu com Corpus Christi Carol e Hammerhead, do novo álbum, desconhecidas do público. Esquentou mesmo com um solo performático da baixista Rhonda Smith, craque no palco em vista da experiência de ter tocado na banda de Prince. Tal Wikinfeld, a baixista anterior, uma lourinha com cara de menina, é mais técnica que Rhonda, mas com maior presença, vestida de preto, calça justa, gestos e poses. Narada Michael Walden é um poderoso baterista substituiu Billy Cobham na banda de John McLaughlin na época do Mahavishnu Orchestra) e tocou anteriormente com Beck em Wired, na década de 1980. É também músico de estúdio requisitado (tocou em discos de Diana Ross, Mariah Carrey, Aretha Franklin e Whitney Houston. Ambos dão um peso considerável ao conjunto do som. Complementa a banda o experiente Jason Rebello, que acompanhou vários músicos de jazz e também, Sting.

Os destaques do show foram a citada anteriormente, Over the Rainbow, People Get Ready, clássico de Curtis Mayfield, e I Want to Take You Higher, poderosa composição conhecida na interpretação de Sly and The Family Stone. O ponto negativo, segundo meu ponto de vista, foi um canhestro How High the Moon, clássico do jazz. Quando Beck empunhou a Gibson Les Paul, imaginei que fosse acontecer algo de muito especial (só tinha o visto com a Fender Stratocaster). Soltaram um vocal absurdamente feio em playback para a performance da banda. Horrível. Não fosse isso, teria sido um show irrepreensível.

Para fugir do trânsito pós-show, não assisti ao último bis: Nessum dorma. Fui na do amigo Jay: melhor perder uma música do que ficar uma hora preso no trânsito da saída. Há um vídeo disponível com orquestra da ária de Puccini. Confira.



Jeff Beck e a baixista Rhonda Smith:




Jeff Beck toca Led Boots com a antiga baixista, Tal Wikenfeld.

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