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| Zenón, melhor sax-alto “Rising Star” |
Nas notas internas do CD, Zenón explica que esse ritmo representa o elo entre “música” e “povo” em letras que retratam o cotidiano dessa população em forma de canções de protesto, patriotismo, amor e alegria. A letra de Ahora Sí, de Viento de Agua, de Juan “Jonsy” Martinez é uma apologia do gênero: “Yo no tengo nada en contra del merengue/ De la salsa, tampouco del rap/ Pero si me tocas mi ritmo de plena/ Yo te digo que esa me gusta más.”
Apesar da resistência de muitos puristas quanto à contaminação do jazz pela música latina, é um fato que remonta tempos bem antanhos. No caso brasileiro, o “fenômeno Carmen Miranda” e as personagens “brasileiras” criadas por Walt Disney, como o Zé Carioca, são exemplos dessa “interpenetração” cultural que vai acontecer com mais intensidade depois da Segunda Guerra. Dizzy Gillespie, que junto de Charlie Parker e Bud Powell, é um dos artífices do bebop, interessou-se pelos ritmos chamados afro-cubanos e os incoroporou. Outro músico importante para a disseminação dos sons latinos na América foi Mauro Bauzá. Originário de Cuba, nos anos 1930 tocou na orquestra de Chick Webb e foi onde conheceu o também trumpetista Dizzy. Ambos são figuras importantes no “contágio” de ritmos como a salsa, o mambo e o merengue na música americana. O “congalero” Chano Pozo, Mongo Santamaría, Pérez Prado, Machito e alguns não-latinos como Tito Puente (nasceu em Nova York é de origem porto-riquenha) e o vibrafonista Carl Tjader foram músicos que ajudaram a moldar essa fusão no jazz, chamada de “latin jazz”.
Na ponta dessa “linha evolutiva” está Miguel Zenón, dentre outros. Antecederam-no músicos como Paquito D’Rivera, que fugiu das garras do ditador Castro; Chucho Valdés, fundador do Irakere – e filho do grande Bebo –; o pianista Gonzalo Rubalcaba, Arturo Sandoval; o panamenho Danilo Perez, Michel Camilo; e os conterrâneos porto-riquenhos, David Sanchez, Edsel Gomez (que os brasileiros devem conhecer pois morou dez anos aqui e tocou com Arismar do Espírito Santo e Chico Buarque, João Bosco, Cauby Peixoto e Paulinho da Viola) e Eddie Palmieri.
Esta Plena, lançado em 2009, foi considerado o terceiro melhor do ano no “58th Critics Poll” da revista Downbeat. Segundo a All About Jazz, é um disco de “performances memoráveis de cada um [dos músicos], composicão vigorosa e liberdade de improvisação”. A banda de Miguel é composta pelo excelente pianista panamenho Luis Perdomo, o baixista Hans Glawishnig e Henry Cole na bateria. Como se vê, a formação é jazzística. O lado “Puerto Rico” é a dos músicos locais no pandeiro (e outras percussões) e nas vozes. É uma mistura que não irá fazer o gosto de quem tem urticária a bongôs e atabaques. Mas bem ou mal, a música latina, principalmente, caribenha, está entranhada na música americana. E não é pelos milhões de imigrantes que vão à procura de melhores oportunidades de trabalho e qualidade de vida. É sim, por estarem contribuindo para o enriquecimento das linguagens musicais.
Assista ao making of produzido pela Marsalis Music, gravadora de Zenón.

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