terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um gigante chamado Michel Petrucciani

Quis o destino que Michel Petrucciani nascesse com algo chamado osteogenesis imperfecta (conhecida como doença de Elkman-Lobstein ou “ossos de vidro”) e, ao mesmo tempo, com imenso talento. Essa enfermidade causada pela ausência de colágeno ou insuficiência de sintetizá-la faz com que seus portadores estejam sujeitos a fraturas ósseas, causando vários problemas no crescimento, quando sobrevivem a ela, além de terem o sistema respiratório comprometido.

Filho de uma família de músicos, interessou-se pelo piano e, apesar da formação clássica, voltou-se ao jazz, seu primeiro interesse. Começou a se apresentar publicamente aos treze anos e com vinte mudou-se para os EUA e construiu uma carreira sólida ganhando, rapidamente, renome internacional. Ter menos de um metro de altura e pouco mais de 20 quilos não foram empecilhos para seu desenvolvimento como pianista. Petrucciani tocava em um piano normal com a diferença de ter os pedais adaptados para que pudesse alcançá-los.

Tocou com Dizzy Gillespie, Gerry Mulligan, Joe Lovano, o baixista Eddie Gomez, e os bateristas Roy Haynes, Al Foster e Lenny White. Contratado da Blue Note Records dois CDs se destacam: Live at The Village Vanguard (1984), em que foi acompanhado por Palle Danielsson e Eliot Zigmund, e Power of Three (1987), com o guitarrista Jim Hall e o saxofonista Wayne Shorter.

Dono de um estilo, ao mesmo tempo, lírico e “musculoso” deixou em discos e vídeos o registro de seu talento prporcionalmente inverso ao seu tamanho físico. Um deles, Live at The Village Vanguard, em que Jim Hall participa, saiu pela Unicorn e está disponível no mercado americano. O outro saiu pela sua última gravadora, a Dreyfus Jazz, em que, além de um concerto com o baixista Anthony Jackson e o baterista Steve Gadd, há um documentário protagonizado por ele, chamado Non Stop Travels. Por essa gravadora, em 1994, os destaques são um CD com o organista conterrâneo Eddy Louis e uma apresentação ao vivo no Teatro de Champs-Élysées, de 1994, ocorrido cinco anos antes de sua morte prematura, aos 36 anos, vítima de infecção pulmonar. Nesse álbum duplo há uma belíssima versão do clássico Besame Mucho. Ouça.


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