De duas ou três coisas que sei de Wilson das Neves, uma é a de que, segundo Chico Buarque, é muito bom de papo; sempre tem uma história para contar. A outra é que, além de baterista, compõe e canta. Em 1997, lançou o álbum O Som Sagrado de Wilson das Neves com músicas próprias em parceria com Paulo Cesar Pinheiro e Chico Buarque. Tocou bateria e percussão com todo o primeiro time da MPB, de Elza Soares – com quem gravou Baterista: Wilson das Neves, em 1968 –, Beth Carvalho, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Clara Nunes, a Michel Legrand e o gaitista Toots Thielmans. Acaba de ser lançado o CD Pra Gente Fazer Mais Um Samba. Aos 73 anos, continua a toda e diz em matéria de O Estado de S. Paulo, que é fácil fazer samba.
A Livraria Cultura tem promovido lançamentos exclusivos, disponíveis apenas em suas lojas, DVDs e CDs. As escolhas musicais estão a cargo de Charles Gavin, mais conhecido por ter sido baterista dos Titãs. Mas, nos últimos anos, tem feito um trabalho muito bom de organizar relançamentos de discos há muito fora de catálogo. Fez isso com o acervo da EMI-Odeon e, agora, para a Livraria Cultura. Do primeiro pacote, faz parte o disco de Os Ipanemas (1964), conjunto em que o destaque é o trombonista Astor Silva. Pronuncia-se “Astôr”, e não “Ástor”. Belo disco.
De Os Ipanemas, ouça Consolação, clássico “afro-samba” de Baden Powell e Vinícius de Moraes. E preste atenção no trombone de Astor.
A batida inconfundível “samba-jazz” é exclusividade dos brasileiros. Não existe um baterista estrangeiro com o balanço deles. Ouça o Sr. Das Neves acompanhando Elza Soares em Deixa Isso pra Lá. Absurdo!

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