quinta-feira, 28 de junho de 2018

Puccini é pop e é jazz

Até quem não gosta de ópera ou de música erudita e nunca viu “Cantando na Chuva”, por não gostar de musicais, deve ter ouvido “Nessum dorma”, uma das árias mais conhecidas. Depois dos milhões de álbuns vendidos de “Three Tenors”, com Luciano Pavarotti, Placido Domingo e José Carreras, árias como de Giacomo Puccini, citada acima, caíram, como se dizia antigamente, “na boca do povo”. Quem não a conhece a desse disco – tudo é possível –, deve conhecê-la na interpretação de Andrea Bocelli, o tenor mais pop do mundo, ou, quem sabe, com o espetaculoso André Rieu.

Questão de gosto. A ópera é daquele gênero “amo ou odeio”. Os libretistas capricham em enredos fantasiosos e teatralidade exuberante. Traições, violência, paixões, finais trágicos, nem tudo é leve e engraçado como nas “Bodas de Fígaro” e “Flauta Mágica”, de Mozart. É um gênero over por natureza, e exige uma certa sofisticação cultural/musical de seu ouvinte.

Alguns escolheram cenários que podem ser considerados exóticos, como Verdi, em “Aída”, no antigo Egito, como gancho, em razão da inauguração do canal de Suez, ou o Japão, para cantar a impossibilidade do amor de um tenente americano por uma gueixa. “Turandot”, ópera que Puccini não conseguiu concluir, o cenário é a China.

A ária “Nessum dorma” é a mais conhecida dessa ópera. É Calaf, um dos pretendentes da princesa Turandot, quem canta. Dentre as inúmeras gravações, a dirigida por Zubin Mehta, com Joan Sutherland e Luciano Pavarotti, de 1972, é considerada um clássico.

Ouça “Nessum dorma”, com o italiano.




Tão conhecida e sublime, natural que existam gravações como no jazz, com o trumpetista Lester Bowie e sua Brass Fantasy e até uma com o roqueiro Jeff Beck.

Comecemos com Jeff Beck.




Com Lester Bowie.




E lucevan le stelle
Em cenário mais familiar, Itália, mais precisamente, o pintor Mario Cavaradossi aguarda sua execução, no terceiro ato. É quando canta “E lucevan le stelle”, lembrando-se de sua amada Tosca. É uma ópera com belo libretto e merece ser conhecida até por quem não gosta do gênero. Várias árias são clássicas, sendo “E lucevan…” a mais bela. Uma grande montagem, com cenários de Franco Zefirelli, é a do Metropolitan, regência de Giuseppe Sinopoli, com Hildegard Behrens e Placido Domingo.  É a apresentada aqui.




Alguns músicos mais ligados ao jazz fizeram boas gravações dessa ária. Uma delas é a de Grover Washington Jr, no álbum “Aria”.




Outra bem boa, que postei no YouTube e foi bloqueada é a presente em “Tati” (ECM, 2005). Não foi seu único registro. Ouça a que está em “Rava l’opéra va” (Label Bleu).




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