quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

2017: o centenário do jazz

Marcos ou datas históricas nunca são precisas, quando o assunto é música. Assim como há a velha discussão se “Pelo Telefone” é o primeiro samba da história, no Brasil, lançado em 1917, o mesmo acontece com o jazz. E nem sempre a primeira é uma grande canção ou uma grande composição.

Duas datas são consideradas: 30 de janeiro e 28 de fevereiro, de 1917, mesmo ano de “Pelo Telefone”, de Donga e Mauro de Almeida. Lá, pelo menos, em um ponto concordam: a primeira gravação é do Original Dixieland Jazz Band.

A banda, liderada por Nick LaRocca, chegou a Nova York, apresentando-se no restaurante Reisenweber. A música ruidosa chegou aos ouvidos da Columbia Graphophone Company, a quatro milhas e meia de lá. A ODJB gravou duas faixas nos estúdios da gravadora: “Indiana” e “Darktown Strutters’ Ball”. Por terem considerado a música um tanto vulgar, não lançaram.

A Victor Talking Machine, menos preocupada com “noções de respeitabilidade”, segundo o articulista John McDonough (Downbeat, janeiro 2017), convidaram os liderados de LaRocca e gravaram “Dixieland Jass Band One-Step” e “Livery Stable Blues”, canções tipicamente New Orleans. Em dez dias, estava na praça.

A Columbia, ainda segundo o articulista, “sentiram-se mais confortáveis com a vulgaridade” e lançaram a gravação antes desprezada, em agosto. Sendo assim, uns dão a data como 31 de janeiro e outros, 28 de fevereiro. Datas são formalidades.

O que vem depois
Creio que poucos devem saber quem é Nick LaRocca, mas até o menos informado, que gosta um pouco de música sabe quem é Miles Davis, John Coltrane ou Thelonious Monk. A data é apenas um marco de uma linguagem que surgia para ser a manifestação musical mais importante do século 20.

O ano de 1917 tem um efeito simbólico, pois temos as raízes do gênero no ragtime de Scott Joplin, ainda no fim do século 19. Não foram gravadas porque não existiam meios de fazê-lo. Os primeiros nomes até hoje conhecidos como pioneiros, surgiram em anos próximos a 1917: King Oliver, Louis Armstrong, Lil Hardin Armstrong, dentre outros. Estes são mais importantes para a história do que LaRocca. O novo gênero estava sendo gestado desde os fins do século anterior e início do próximo. É de 1911, por exemplo, a primeira composição de Irving Berlin a ficar conhecida: “Alexander’s Ragtime Band”.

Quando surgiu, o jazz representava uma subversão cultural, ainda segundo John McDonough. O jazz veio para misturar a alta e a baixa cultura. Nos anos após o fim da Primeira Guerra, o novo gênero sugeria “ligações subversivas entre arte e a moralidade. Celebrava a liberdade, espontaneidade e, o mais temível de tudo, em 1917, prazer,” E John ressalta o por quê dos anos 1920 terem ficado conhecidos como o “Jazz Age”.

Cem anos depois, o jazz é ainda um gênero presente e em constante transformação.

Fique com Louis Armstrong e sua banda a tocar “Potato Head Blues”, em 1927.




Um feliz 2017! Com muito jazz.

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