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| Bowie e Catherine Deneuve, em Fome de Viver |
Dentre a série de “transformações” do cantor, uma das mais interessantes é a que corresponde ao tempo em que morou em Berlim. Os álbuns Low, Heroes e Lodger compõem o que ficou conhecido como a “Trilogia de Berlim”. Os três contaram com a colaboração de Brian Eno e é a fase mais experimental de Bowie, quando flerta com a música ambiental, o minimalismo e o jazz. Nas várias faixas instrumentais, toca saxofone. São quase sempre climáticas, soturnas, bem ao gosto do produtor Eno. Uma curiosidade: Robert Fripp foi convidado para participar de Heroes (é sua a guitarra na música título); mandaram uma passagem. Foi a sua primeira viagem na primeira classe, disse ele.
★ recebeu vários tipos de críticas, inclusive negativas, logo depois de lançado. Provavelmente, agora que morreu, será elogiado unanimemente. É, a morte faz coisa. Mas não é um álbum para todos os gostos. Alguns críticos, ao ouvirem ★ , lembraram-se da “Trilogia de Berlim”.
Veja o clipe de Lazarus.
Dylan Howe e Bowie jazz
Um dado bastante ressaltado de ★ foi a formação instrumental. Apesar de contar com seu tradicional produtor, Tony Visconti, optou de ser acompanhado pela banda do saxofonista Don McCaslin, composta pelo guitarrista Ben Monder, Tim Lefebvre (baixo), Jason Lindner (teclados) e Mark Guiliana (bateria). É uma formação bem jazzística.
Por coincidência, andava ouvindo Subterraneans - New Designs on Bowie’s Berlin, de Dylan Howe. Este baterista inglês é um rapaz ainda, e sendo filho do guitarrista Steve Howe, que foi do Yes, deve ter crescido ouvindo os sons do pai e de David Bowie, certamente. Nesse álbum, Dylan baseou-se no repertório da trilogia de Berlim. Esse fato despertou a minha curiosidade.
De Low, Dylan e sua banda tocam Subterranean, Weeping Wall, All Saints, Some Are. Art Decade e Warzawa, de Heroes, Moss Garden e Neuköln. Como não poderia deixar de ser, o clima é igualmente soturno.
A banda de Dylan é formada por Brandon Allen (sax tenor), Ross Stanley (piano e sintetizadores), Mark Hodgson (baixo acústico), Adrian Utley (guitarra), e conta com a participação do pai Steve Howe tocando koto em Moss Garden.
A faixa que era a última da edição oficial de Low é a que abre o álbum Subterraneans. O mesmo clima fantasmagórico e claustrofóbico está presente na concepção de Howe. Quem conhece Subterraneans deve lembrar-se dos teclados de Eno, do saxofone alto e os vocais de Bowie. São sete minutos e poucos de magia que servem de apresentação para o disco.
Ouça Subterraneans.
All Saints, a segunda, já tem o tom bem mais jazz, com marcações de contrabaixo bem definidas, que mudam de andamento repentinamente acompanhando o belo solo de Ross Stanley ao piano. As breves notas ao sintetizador que se alternam funcionam muito bem como contraponto do elétrico com o acústico.
O disco é excepcional. Dylan une a atmosfera dos originais com a linguagem improvisativa do jazz. Em vários momentos, lembra as jornadas musicais do guitarrista Terje Rydal, construindo um som original unindo o acústico e o eletrônico. Essencial, esse álbum merece as cinco estrelas que recebeu pela revista Downbeat.
Ouça o álbum em sua íntegra.

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