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| Frank Sinatra e Ava Gardner |
Das inúmeras imagens que vi na noite deste dia, a mais marcante foi a de Frank Sinatra cortando o bolo de aniversário com ajuda de sua mulher Barbara Marx, Marx porque fora casada com Zeppo, um dos irmãos Marx. Frank estava por um fio. Morreu cinco meses depois. Se vivo, como pretendia, estaria completando 100 anos no dia 12 passado.
Histórias de amor
Na sua coluna de sábado, o jornalista Sergio Augusto escreve que, em uma dessas enquetes feitas na internet elegendo os melhores cantores do século 20, Sinatra ficou em 126º. Há controvérsias. Como bem salienta, na mesma coluna, “Duke Ellington, Stan Getz, Benny Goodman, Gerry Mulligan, Oscar Peterson, Lester Young – elegeram Sinatra seu ‘cantor favorito’.” E escreve ainda, que Miles Davis moldou “seu estilo de tocar pelos fraseados do cantor.”
Melhor ficar com que esses músicos achavam do que com a patuleia – desculpe o preconceito – que participou da enquete. Frank Sinatra é o maior cantor de todos os tempos e fim de papo. Seu fraseado era inigualável e foi o cantor que melhor tratou da língua, além de um controle estupendo da respiração, alongando ou encurtando as notas. Cada verso, cada palavra era entoada com clareza impressionante. Meu amigo Zeca Leal que, atualmente, está em sua companhia, dizia que aprendeu inglês ouvindo Sinatra.
Caso 1. Aliás, o Zeca é o primeiro de quem falo, dos que amavam Sinatra. Com seu habitual humor sempre cáustico que nem perdoava a si mesmo, gostava de dizer que foi o maior comprador de discos de Frank. Como bebia muito, em muitas ocasiões, ao pousar a agulha sobre o disco, em razão de seu estado, riscava-o. E como, para ele, nada podia macular a voz de Sinatra, saía para comprar outro igual. Quando não tinha condições de sair, pedia aos filhos que fossem procurar o disco.
Muitos devem saber como acabam histórias de alcoolismo. O Zeca gostava da noite e de um bom scotch. Era amigo de músicos, inclusive ajudava Dick Farney a fazer o imposto de renda. Mas numa hora deixou de ser divertido. A bebida acabou com o seu casamento. Quando nasceu seu primeiro neto, apareceu no hospital e jurou que iria parar de beber. E foi assim. Tinha 43 anos, com ajuda dos Alcóolicos Anônimos.
Algumas pessoas achavam que o “Zeca sóbrio” tinha perdido a graça. Logo que parou, uma namorada andou colocando vodca no seu suco de laranja da manhã. Ele percebeu. Terminou o namoro. Algumas doses de whisky o ajudavam em muito em deixar a timidez de lado. Percebeu que sem a bebida não conseguia se aproximar de uma mulher. Em vez de voltar a beber, procurou um terapeuta. Deu certo: arrumou uma namorada e viu que as pessoas se divertiam com suas histórias, como antigamente. Aprendi muita coisa de jazz e de Sinatra com ele. Até onde sua saúde permitiu, vinha a minha casa munido de várias fitas cassete para gravar coisas que gostava e que não possuía mais.
Caso 2. Outra boa história de amor por Frank Sinatra, esta de segunda mão, é a de Ronaldo Bôscoli, contada por Ruy Castro. O jornalista e compositor costumava dizer que gostava mais do Frank Sinatra do que de mulher, o que era mais uma frase de efeito, dado que era um mulherengo atávico, tendo entre suas conquistas Nara Leão, Maysa e Elis Regina.
Certo dia, quando chegava em seu apartamento, deparou-se com uma cena inusitada: centenas de LPs espalhados na avenida Atlântica, no Rio de Janeiro. Olhando o extrato de despesas de seu cartão de crédito, Elis, sua mulher na época, constatou uma despesa em um motel bem conhecido, e o gasto não fora com ela. Possessa, vingou-se jogando toda a coleção de LPs de Frank Sinatra pela janela.
Caso 3. Esta aconteceu com Frank e é do conhecimento de todos. Muitas mulheres passaram pela sua cama, mas nenhuma o fez sofrer tanto quanto Ava Gardner. O amor ou a sua perda sempre foram poderosos elixires para a criatividade. Em carreira ascendente, no início da década de 1950, Frank viu o que construíra até então desmoronar-se. Estando por baixo, conseguiu um papel de coadjuvante em A Um Passo da Eternidade. Conquistou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Na nova fase, assinou contrato com a Capitol Records.
Na vida pessoal, o caos chamou-se Ava Gardner. Separou-se de Nancy para ficar com ela. O amor que lhe causou tantos sofrimentos, em conjunção com outras circunstâncias, resultou em seu segundo auge, na opinião de muitos, seu melhor momento na carreira. Com o advento dos LPs (abreviação de “long playing”), o tempo de duração de um disco aumentou tremendamente, e é a época do surgimento da alta fidelidade nas gravações. Era comum nos discos o selo “high-fidelity” impresso nas capas.
Algumas pessoas achavam que o “Zeca sóbrio” tinha perdido a graça. Logo que parou, uma namorada andou colocando vodca no seu suco de laranja da manhã. Ele percebeu. Terminou o namoro. Algumas doses de whisky o ajudavam em muito em deixar a timidez de lado. Percebeu que sem a bebida não conseguia se aproximar de uma mulher. Em vez de voltar a beber, procurou um terapeuta. Deu certo: arrumou uma namorada e viu que as pessoas se divertiam com suas histórias, como antigamente. Aprendi muita coisa de jazz e de Sinatra com ele. Até onde sua saúde permitiu, vinha a minha casa munido de várias fitas cassete para gravar coisas que gostava e que não possuía mais.
Caso 2. Outra boa história de amor por Frank Sinatra, esta de segunda mão, é a de Ronaldo Bôscoli, contada por Ruy Castro. O jornalista e compositor costumava dizer que gostava mais do Frank Sinatra do que de mulher, o que era mais uma frase de efeito, dado que era um mulherengo atávico, tendo entre suas conquistas Nara Leão, Maysa e Elis Regina.
Certo dia, quando chegava em seu apartamento, deparou-se com uma cena inusitada: centenas de LPs espalhados na avenida Atlântica, no Rio de Janeiro. Olhando o extrato de despesas de seu cartão de crédito, Elis, sua mulher na época, constatou uma despesa em um motel bem conhecido, e o gasto não fora com ela. Possessa, vingou-se jogando toda a coleção de LPs de Frank Sinatra pela janela.
Caso 3. Esta aconteceu com Frank e é do conhecimento de todos. Muitas mulheres passaram pela sua cama, mas nenhuma o fez sofrer tanto quanto Ava Gardner. O amor ou a sua perda sempre foram poderosos elixires para a criatividade. Em carreira ascendente, no início da década de 1950, Frank viu o que construíra até então desmoronar-se. Estando por baixo, conseguiu um papel de coadjuvante em A Um Passo da Eternidade. Conquistou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Na nova fase, assinou contrato com a Capitol Records.
Na vida pessoal, o caos chamou-se Ava Gardner. Separou-se de Nancy para ficar com ela. O amor que lhe causou tantos sofrimentos, em conjunção com outras circunstâncias, resultou em seu segundo auge, na opinião de muitos, seu melhor momento na carreira. Com o advento dos LPs (abreviação de “long playing”), o tempo de duração de um disco aumentou tremendamente, e é a época do surgimento da alta fidelidade nas gravações. Era comum nos discos o selo “high-fidelity” impresso nas capas.
Juntando o sofrimento da relação tumultuada, o tempo maior dos LPs, Sinatra é o inventor do que pode ser chamado de “álbum conceitual”. Muito antes de Dark Side of the Moon e da ópera-rock Tommy, de The Who, ele lançou uma série de discos que continham uma ideia.
Os álbuns In the Wee Small Hours of the Morning, Where Are You? e Only the Lonely e No One Cares são os melhores de Frank. Formam um conjunto de canções de dor de cotovelo, amores desfeitos e de abandono, com orquestrações sombrias, melancólicas com arranjos e orquestrações magistrais de Nelson Riddle, Gordon Jenkins. As capas são também ítens a destacar, com imagens tocantes de Sinatra, só, com um cigarro na mão na noite azulada (In the Wee Small Hours of the Morning), pensativo, com um cigarro novamente (Where Are You?), retratado como um palhaço (Only the Lonely), ou sozinho e pensativo, sentado com os braços apoiados no balcão de um bar, enquanto as pessoas se divertem as suas costas (No One Cares). Desses álbuns em que Sinatra se apresenta como um “loser”, todas obras primas, a crítica e os amantes de Frank consideram Only the Lonely como o seu álbum mais perfeito.
O sofrimento por amor, se é indelével, ao menos gerou grandes discos para Frank Sinatra.
De Only the Lonely, ouça Angel Eyes.
What’s New.
De In the Wee Small Hours of the Morning, Glad to Be Unhappy.
O grande clássico da dor de cotovelo está em Where Are You? (1957): I’m a Fool to Want You, com as cordas da orquestra de Gordon Jenkins.

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