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| Capa de On the Beach, de Neil Young |
Prazer. O aspecto mágico dos LPs e que inexiste em CDs e muito menos nas imagens visualizadas nos tocadores de mp3 era (e é) a sua presença física. Manipulá-los, retirar o disco de uma capa que mede 31 x 31 cm, colocá-lo sobre o prato (é esse o nome mesmo) e pousar o braço que, em sua extremidade, possui algo chamado cápsula, com uma agulha de diamante, cuja pressão sobre o disco não passa de 2,5 gramas, é um ritual que fez parte da vida de muita gente. Um disco preto roda à velocidade de 33⅓ de rotações por minuto; antes do início da primeira música, ouvem-se chiados quase imperceptíveis: é o contato do diamante sobre o vinil. Os primeiros sons invadem a sala; daí em diante, é o deleite de você estar ouvindo música.
Voltando ao meu LP favorito de Neil Young que, salvo engano, não foi lançado no Brasil, meu encanto começou pela capa. Em primeiro plano, tem um guarda sol amarelo na parte externa com uma estampa de flores em fundo em um pouco mais escuro em seu verso. A estampa é mesma das duas cadeiras de tubos de alumínio. No lado esquerdo vê-se a ponta traseira de um carro que era conhecido como “rabo de peixe”, também amarelo. Mais ao fundo, vê-se um homem de cabelos longos vestindo camisa amarela e calça branca de costas olhando para o mar, tendo de um lado um par de botas e do outro uma outra cadeira de praia, com a mesma estampa, tipo espreguiçadeira. Certamente é Neil de costas. Quando quase todos querem mostrar seus rostos na capa, ele, aqui, prefere observar o mar. O envelope que protege o LP tem a mesma estampa de flores. Uma explicação: os discos americanos vinham com envelope de papel, enquanto que, no Brasil, eram de um plástico translúcido bem fino.
Depois que saiu do Canadá, Young formou com Stephen Stills e Richie Furay a banda Buffalo Springfield. Logo chamou a atenção por suas belas composições e a voz meio anasalada. Banda com muito cacique não dura. Músicas como Expecting to Fly, Broken Arrow, Mr. Soul são dessa época. Lançou o primeiro solo em 1968. Em seguida vieram Everybody This Is Nowhere (1969), After the Gold Rush (1970) e Harvest (1972), todos excepcionais, mas com o último, estourou. Foi o álbum mais vendido do ano nos EUA. Nesse meio tempo, passou a fazer parte do Crosby, Stills, Nash & Young, antes, Crosby, Stills & Nash. Essa sim, era uma banda de caciques. Não durou também, porém, pode ser considerada uma das melhores de todos os tempos. Stills montou o Manassas, com Chris Hillman, a banda de quatro virou simplesmente, Crosby & Nash.
Aparentemente, Neil Young não se sentia à vontade com a fama. Harvest era um álbum para cima, até onde era possível a uma personalidade como ele. É certo que uma das canções, The Needle and the Damage Done, não pode ser considerada um exemplo de canção desse tom.
Veja e ouça Neil Young em The Needle and the Damage Done, versão acústica.
Quando se esperava uma “continuação” de Harvest, Young vem com um álbum soturno, pesado, com uma capa anti-estrela. A revista Rolling Stone classificou-o como “um dos discos mais desesperançados da década”. Logicamente, vendeu bem menos que Harvest. E saiu de catálogo em 1980. Enquanto todos os antigos LPs eram relançados no formato CD, On the Beach, não foi. Virou cult e foi considerado o “álbum mais desejado que não foi lançado em CD”. Fizeram até uma petição com cinco mil assinaturas de fãs. Quase trinta anos depois de seu lançamento ganhou sua versão em CD. Antes de On the Beach, tinha gravado Tonight’s the Night, mais soturno que este, e acabou por ser lançado depois.
Ouça a música título. Ouvindo hoje, penso como gostava dessa música e do quanto ouvi em 1974 e 75.
See the Sky about to Rain.
A última do disco era a minha segunda preferida: Ambulance Blues.

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