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| Luiz Bonfá e seu violão |
Pelo que se percebe, o “campeão” do ano foi Tom Jobim. Antes, já havia composto Teresa da Praia, em 1954, com Billy Blanco, famosa nas vozes de Lúcio Alves e Dick Farney, Foi a Noite, com Newton Mendonça, lançada por Sílvia Telles, Se Todos Fossem Iguais a Você, primeira parceria com Vinícius, para a peça Orfeu da Conceição, em 1957, e Chega de Saudade (1958), de novo com o poetinha. Entre uma músiquinha e outra , como diria o poeta embaixador, em 1959, Jobim era autor de seis temas que tornaram-se clássicos.
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| Jobim compõe e arranja, Bonfá toca |
Ao contrário do que alguns imaginam, Bonfá foi para os EUA antes de Jobim. Viajou para Nova York como acompanhante da cantora Mary Martin, em 1957. Esse movimento se inicia com Carmen Miranda e o Bando da Lua e teve continuidade com a ida de Laurindo de Almeida, que se fixou em Los Angeles no início da década de 1950 e também dos menos conhecidos Los Índios Tabajaras, que conseguiram sucesso relativo na América do Norte. Eram dois exímios violonistas que construíram uma carreira internacional, mas não se vinculam à onda da bossa nova. (sobre eles, leia http://bit.ly/1Fj1iwl)
O sucesso de Manhã de Carnaval levou Bonfá a resolver tentar a sorte nos EUA. Grande violonista e compositor, gravou álbuns pelo selo Verve, um dos principais do jazz, Capitol, Atlantic e Epic. Um dado interessante é de que teve uma de suas composições – Almost in Love – gravada por Elvis Presley. A outra curiosidade é a de que Manhã de Carnaval foi “traduzida” para o inglês com o ridículo título de A Day in the Life of a Fool. Ainda bem que o título original foi preservado posteriormente. A única excentricidade, mas aí devemos responsabilizar as características da língua inglesa, é a de que normalmente “manhã” é grafada como “manha”, o que em português significa outra coisa. Outra aberração nesses casos de equívocos de grafia é Você Abusou, escrita “Voceabuso” e, em vez de ter sido creditada a Antonio Carlos e Jocafi, ter ficado como uma composição de Tom Jobim, em um disco do pianista Tommy Flanagan. É uma coisa que nem a dupla deve ter tomado conhecimento.
Algumas Manhãs de Carnaval
Sem dúvida, a mais bela interpretação desta canção é a de Agostinho dos Santos. Ouça.
Uma curiosidade: Agostinho canta com Johnny Mathis, em programa da antiga TV Excelsior (1964).
Bela é também na voz de João Gilberto.
Ouça com Nara Leão.
Ouça a curiosa versão do grupo cubano Los Zafiros. Essa banda é muito interessante. Segue a onda dos conjuntos vocais que, aqui no Brasil teve como um dos principais o Golden Boys. Leia mais sobre eles em http://bit.ly/1DgSHcH)
O depoimento de Luiz Bonfá contando de como nasceu Manhã de Carnaval (está cortado, mas vale como documento). De quebra, Elizete Cardoso canta a música com acompanhamento de Bonfá.
Até Frank Sinatra cantou Manhã de Carnaval, aliás, com aquele título imbecil: A Day in the Life of a Fool.
Ouça Mañana de … em espanhol, com Natalie Cole.
Susannah McCorkle canta em português.
Manhãs instrumentais
Bela interpretação do brasileiro Antonio Carlos Barbosa Lima, um de nossos maiores violonistas, que há muito mora fora. Sobre ele, leia http://bit.ly/1EENs3q
Veja Baden Powell interpretando Manhã de Carnaval.
Composta por um violonista, Manhã de Carnaval é perfeita na guitarra. Uma boa interpretação é a de John McLaughlin, com Al DiMeola. Ele começa com um trecho de Insensatez antes de entrar no tema.
Outra muito boa é a do guitarrista Jack Wilkins. É uma das minhas preferidas.
Ouça ao saxofone tenor, com Jim Tomlinson, marido de Stacey Kent.
Leia também um texto sobre a minha quarta-feira de cinzas em Nova York e em Passos, MG: http://guenyokoyama.blogspot.com.br/2011/04/manha-de-carnaval-em-plena-quaresma.html


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