quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Chiquinha Gonzaga pelas mãos de Leandro Braga

É do tempo do Império um dos maiores nomes da música brasileira. E o impressionante é ser uma mulher. Nascida Francisca Hedwiges de Lima Gonzaga, filha de general, com padrinho ilustre (Duque de Caxias), Francisca virou Chiquinha. Nada mais brasileiro e brejeiro que esse nome.

Chiquinha é a revolução em várias frentes. Em pleno século XIX, quando mulher não tinha vez para nada além da alcova e do tricô, desde bem jovem entrou de sola em ambientes essencialmente masculinos. Compôs a primeira música – Canção dos Pastores – quando tinha 11 anos. Mesmo com todos os entraves sociais, profissionaliza-se como músico e consegue ganhar dinheiro com seu mister. Virou um sucesso tremendo. Chegou a ser chamada de “Offenbach de saias”, por ter várias obras compostas para o teatro musical.

Pioneira, chocou a sociedade separando-se do marido arranjado pela família, um oficial da Marinha que passava mais tempo no navio do que em casa. Não parou por aí. Casou-se novamente. Separou-se. Quando já tinha passado dos 50 anos, começou a namorar um rapazote de 16 anos. Mesmo aos olhos de hoje, chocaria. Imagine isso no início do século passado.


Leandro Braga. Meio que à tôa, fuçando na iTunes Store, encontro alguns álbuns de Leandro Braga. Com a popularização das lojas online e o fim das lojas físicas que vendem CDs, acontece uma coisa curiosa: discos difíceis de serem encontrados até em sebos estão disponíveis para compra em mp3. De Leandro, por exemplo, estão à venda três: And Why Not?, do selo Arabesque, Primeira Dama: A Música de Dona Ivone Lara, e A Música de Chiquinha Gonzaga. Interesso-me pelo último e gasto os meus créditos em sua compra. Infelizmente não está disponível Fé Cega, dedicada à música de Milton Nascimento.

Com muitos bons pianistas, o Brasil conhece poucos. É um dado curioso. Mas é também porque música instrumental, como em qualquer lugar, não é um gênero tão popular como a axé e muito menos quanto a música sertaneja. Nomes como Nelson Ayres, Amilton Godói, fundador do Zimbo Trio, e o genial Luiz Eça, não são tão estranhos. Mas Hilton Valente, o Gogô, que tocou muito tempo com Dick Farney, e Leandro Braga, certamente, não são muitos os que sabem deles. [Sobre Gogô, leia http://bit.ly/1yYZu3y; aliás, Leandro participa do disco]

Apesar de formado em Medicina na PUC-Sorocaba, cercado por familiares com música no sangue, em vez do bisturi, escolheu o piano. Ainda bem. Uma boa prova é o álbum adquirido na loja da Apple, em que presta tributo à Chiquinha Gonzaga, lançado em 1999.

Ouça algumas faixas.
Vamos começar com a belíssima O Abre Alas.




Lua Branca, com participação de Leila Pinheiro.



Não Insistas, Rapariga.




Veja Leandro tocando Milton Nasciimento em show no Sesc.

Cais.




Nada Será Como Antes/Milagre dos Peixes.





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