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| Uma foto clássica de Al DiMeola |
Alguma razão obscura me fez sempre ter algumas reservas quanto a Al DiMeola. Vem desde os tempos em que se revelou tocando com Chick Corea no Return to Forever. Acho que era aquela barba aparadinha, aquele jeito mauricinho – atualmente, seria rotulado de “coxinha” –, sempre sério, com aquele olhar – sempre o mesmo, preste atenção – de plástico, por trás dos óculos. Essa é a parte visual. Fiquei impressionado com a “velocidade” da guitarra de Al. Em Romantic Warriors, do Return to Forever, algumas passagens de guitarra são estupendas, deve-se reconhecer. Mas como nem tudo é rapidez – vide roqueiros como Steve Morse e alguns outros de bandas como o ACDC ou Van Halen –, nunca caí de amores por ele. Concordava com o amigo Hilton Raw que dizia ser guitarra estilo Berklee, querendo dizer que todos tocam parecidos: são ágeis e sem alma. O Hilton tinha certa bronca da Berklee School of Music, que chegou a cursar, No meu caso, talvez fosse por gostar mais do estilo de Bill Connors, seu antecessor na banda de Chick Corea.
Certos juízos mudam com o passar do tempo. Dispus-me a “rever meus conceitos” sobre o guitarrista quando ouvi Mediterranean Sundance, com Al, Paco De Lucia e John McLaughlin. O tema é muito bom, e há de se concordar que seus parceiros são excepcionais instrumentistas. Permitiu-me descobrir qual era a de Di Meola. A praia dele era a música cigana e flamenca. Qualquer tema, seja tango, bolero ou uma canção da dupla Lennon/McCartney, tudo vira flamenco. Pelo menos, alguns discos como Diabolic Inventions and Seduction (2007) e All Your Life (2013) me levam a essa conclusão.
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| Capa de All Your Life (2013) |
Nos últimos tempos tem preferido o violão, em razão, decerto, pela aproximação com o flamenco. Além do excesso de notas dedilhadas, Al faz overdubs nas gravações em estúdio. Como isso é impossível, a não ser recorrendo-se a bases pré-gravadas, ao vivo, muitas vezes apresenta-se com outros violonistas.
No CD dedicado à música dos Beatles – All Your Life (2013) –, algumas interpretações são muito boas, mas ouví-lo inteiro é um tanto cansativo, ou enjoativo, dependendo do ponto de vista, que nesse caso, é meu. Sob o de Jeff Tamarkin, da prestigiada JazzTimes, o álbum é ótimo.
Ouça Because, com belo trabalho de violões e cajón, o instrumento de percussão mais comum no flamenco.
Ouça Eleanor Rigby, a única com orquestra, que, na verdade, é a mesma base da original lançada pelos Beatles.
Sem dúvida, Mediterranean Sundance é uma das grandes composições de Al Di Meola. Confira.


Ainda mais considerando que todos nós que criticam os na verdade não conseguimos tocar nem um pingo do que ele toca. Podia ser pior, já pensou se ele parecesse um petista mortadela?
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