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| Capa com o autógrafo de Oscar Castro-Neves |
Ao vê-lo saindo do avião, do meu lado, nem assim tive coragem de abordá-lo. Não era a Madonna, mas era um dos artistas mais importantes da segunda fase da bossa nova. Já em São Paulo, dei uma olhada nos jornais pela curiosidade de saber onde se apresentaria. Não lembro agora onde foi. Mas, na segunda vez que o vi, não deixei passar a oportunidade. Era uma apresentação no Bourbon Street, de São Paulo. Depois de findo o show, foi fácil chegar nele, sendo o lugar pequeno, com o camarim do lado esquerdo do palco. Contei-lhe do encontro anterior. Não tinha só cara de boa praça; era um boa praça. Ganhei até um autógrafo na capa de seu CD Playful Heart.
Bom, na sexta-feira passada (27/9), Oscar Castro-Neves morreu em decorrência de um câncer, com 73 anos. Brilhante violonista e arranjador, trabalhou com um mundareu de gente do jazz. Quase todo disco em que alguém desejava dar um toque de brasilidade lembrava-se dele para ser o produtor, arranjador ou, simplesmente, tocando violão. A lista é infindável: Dizzy Gillespie, Bud Shank, Toots Thielmans, Lalo Schiffrin, Ray Brown, Carol Welsman, Joe Henderson e o baterista Shelly Manne são alguns.
Castro-Neves participou daquele famoso show no Carnegie Hall que apresentou a bossa nova ao mundo, em 1962. Depois de idas e vindas, fixou residência em Los Angeles e tornou-se um dos músicos mais requisitados, até em projetos incomuns como participações em gravações de Michael Jackson, Barbra Streisand, Stevie Wonder e Yo-Yo Ma. Entre os violonistas brasileiros que mais gravaram fora do Brasil estão ele e Roberto Menescal.
A maestria de Castro-Neves no violão no medley Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá) / Prelude #3 (Villa-Lobos)

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