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| O barbudo é Bollani, ao lado de Hamilton |
Luiza é a próxima. Ah, Luiza, aquela do Tom Jobim? Bandolim rima com Jobim. Tem brasileiro na parada! Ah, é Hamilton de Holanda, um quase brasiliense, pois natural de Niterói, cresceu na Capital Federal. E do pianista Stefano Bollani pode se dizer que é um brasiliano. De tanto vir ao Brasil, deveriam conceder-lhe passaporte brasileiro. É só vê-lo cantando Trem das Onze para confirmar.
Bollani é um rapaz diferente. Nem tem cara de italiano com aquele “cabelo ruim”, como se dizia em tempos menos corretos. É expansivo, como muitos de seus compatriotas, e parece levar a alegria por onde passa e é instrumentista versátil. É jazz interpretando Cheek to Cheek ou It’s Only a Papermoon (I’m in the Mood for Love, 2006), italiano, em Volare e In cerca de ti, italiano operístico na ária E lucevan le stelle, de Puccini (Volare, 2002), e brasileiro em Ao Romper da Aurora, A Voz do Morro (Carioca, 2008), Canção do Amor Demais e Pois É (Falando de Amor, 2003).
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| A capa do CD O Que Será |
O Brasil é um país pródigo em revelar bons instrumentistas nas cordas. Hamilton é considerado o melhor bandolinista atual, de uma linhagem em que se destacam Jacob do Bandolim, Déo Rian e Joel Nascimento. Em pouco mais de dez anos de carreira, gravou cerca de 20 discos, inclusive no mesmo formato bandolim–piano de O Que Será: Contínua Amizade e Gismontipascoal, com o jovem mestre André Mehmari.
O Que Será acaba de ser lançado pela ECM Records. Para Hamilton, é ótimo: é uma boa forma de ficar reconhecido internacionalmente. Dos brasileiros, apenas Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos tiveram a honra de terem seus nomes estampados na capa de algum disco dessa gravadora. Existe um terceiro brasileiro: Ricardo Villalobos, residente em Berlim, mas é um caso atípico, pois é DJ e a praia dele é a da música eletrônica.
Dos temas que ficaram registrados, além de O Que Será, temos Beatriz, Luíza, Apanhei-te Cavaquinho, Rosa, Canto de Ossanha e Caprichos de Espanha, sendo a última, composição do bandolinista. Il Barbone di Seviglia – deve ser uma brincadeira com o nome da ópera O Barbeiro de Sevilha, e será autorreferência, já que agora, além do cabelão, cultiva uma barba? –, é de Bollani. As duas restantes são Guarda Che Luna e Oblivion, de Astor Piazzolla.
Veja Bollani ao piano e Holanda no seu bandolim de dez cordas a tocar Oblivion.
Ouça o álbum dos dois.
Veja os dois em Canto de Ossanha.
Um a Zero, de Pixinguinha. Esta não está no disco.
Outra que não está no disco: Estate.
Chorinho pra Ele, de Hermeto Paschoal.


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