![]() |
| Capa de Victim of Love, de Charles Bradley |
Victim of Love é o segundo álbum do cantor lançado pela Daptone. Essa gravadora ganhou notoriedade por ter lançado Sharon Jones. O sucesso de Sharon e da gravadora, por sua vez, se deve ao fato dos Dap-Kings, banda de apoio dela, terem participado de gravações de Amy Winehouse.
O caso de Bradley é bem parecido com o de Jones: iniciaram suas carreiras tardiamente. Ela foi até carcereira (leia em http://bit.ly/19gxnVR), antes de ser descoberta. Ele está com 65 anos agora e Victim of Love é o segundo lançado pela Daptone. Antes de ser “descoberto”, tocava em uma banda chamada Black Velvet, mas muito antes, foi aquele garoto criado nas ruas, que se drogava, cheirava cola e dormia em qualquer lugar, inclusive na rua. Sorte da Daptone, temporariamente sem Sharon, que se recupera de uma cirurgia por conta de um câncer nas vias biliares, para levantar um dinheirinho. E sorte de Charles.
Quando tinha 18 anos, assistiu a uma apresentação de James Brown e aquilo mudou a sua vida: queria ser igual a ele. Demorou mas chegou lá. Deve estar curtindo a vida adoidado com o sucesso inesperado. Bradley não deve dançar como seu ídolo, mas os “uhs” que entremeia nas inerpretações são bem semelhantes. Outra influência evidente é a de Otis Redding. Em alguns momentos sua voz lembra a visceralidade do autor de Sittin’ on the Dock of the Bay. (sobre Redding, leia xxx).
Alguns críticos estão botando Bradley nas alturas celestes. Menos, né! Tem uma voz muito boa, mas não a ponto de ombrear a de seus ídolos. O povo adora uma descoberta. Foi assim com Sharon também. A Daptone tem se especializado em lançar intérpretes e bandas que remetem aos sons dos anos 1960. Legal, mas soa um pouco déjà vu. Funciona, no entanto. Esse tipo de música faz sucesso até hoje, mesmo entre a juventude atual. Veja-se o caso de Joss Stone, que vendeu quase um milhão de The Soul Sessions nos EUA e mais de um milhão do seguinte Mind, Body & Soul, lançados quando mal passava dos 16 anos de idade.
Uma coisa surpreendente em Bradley e Jones é a consistência interpretativa, mesmo tendo “estreado” tão tarde. É um detalhe que faz com que, às vezes, se supervalorize esses cantores. Entra no script de que o que é bom, um dia é descoberto. Independente de serem superestimados, são bons de verdade. É só não dizer que estão no mesmo patamar de James Brown e Otis Redding.
Ouça Bradley cantando Why Is It So Hard.
No Time for Dreamin’.
Ouça o disco todo aqui. Algumas cançnoes são muito boas, como Let Love Stand a Chance, a instrumental Dusty Love e Through the Storm.

Nenhum comentário:
Postar um comentário