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| A capa do tributo a Caetano Veloso |
A primeira do Tribute é uma das melhores. You Don’t Know Me possui trechos em inglês e em português. O inglês é cantado perfeitamente e o português, um pouco hilário em algumas partes. Isso, contudo não é ponto negativo porque é cantada por uma das melhores bandas da atualidade, o The Magic Numbers. Em tudo o que tocam, as tornam preciosas. Eles são muito bons mesmo. Mucama vira “mequema”, cama vira “quema” – pra rimar não podia ser de outro jeito –, “sabatana” vira “sabadana”, “ave maria” vira “êve mar ia”. You Don’t Know Me, a primeira de um dos melhores LPs do baiano cosmopolita – Transa – é um festival de colagens, com citações de Zé do Norte, Edu Lobo, Luiz Gonzaga. Bem antes dos samples, Veloso se “apropriava” de canções alheias. Ele já era um transcriador transgressor e transcendental há muito tempo.
O tributo é semi-estrangeiro. Não são tantos os ianques, que é como a esquerda latino-americana gostava de chamá-los. Tem o cientologista – “religião” de Tom Cruise, John Travolta e Chick Corea – Beck, o neo hippie “mezzo” americano, “mezzo” venezuelano Devendra Banhart e a quase paulistana (morou em SP, no edifício Copan, em 2004) Chryssie Hynde. No tempo em que ficou por aqui, fez uma turnê com Moreno, Domenico e Kassin. Aliás, é com eles que canta The Empty Boat. Começa com uma guitarra à la David Gilmour e Hynde é boa como sempre. É outro destaque. É um Caetano com sabor Pink Floyd.
São boas também as interpretações dos “hermanos”, aqui separados. Marcelo Camelo canta um interessante É de Manhã (nem tanto quanto a de Maria Bethânia e a de Leny Andrade: leia em http://bit.ly/VAMlwH), e Rodrigo Amarante, em dupla com Banhart, faz uma versão de Quem Me Dera, instrumentalmente sofisticada. Os “hermanos” possuem algo em comum no DNA: escolheram canções do início da carreira de Caetano.
O quase brasileiro, o uruguaio Jorge Drexler, entoa em quase perfeito português, Fora da Ordem. Os brasileiros Momo (Marcelo Frota), Qinho, Tulipa Ruiz, Céu, Luisa Maita, Mariana Aydar e Sergio Dias não fazem feio, mas são versões descartáveis. É aquilo que disse: você sai correndo para ouvir no original. Seu Jorge, em Peter Gast, é exceção, mais em razão de Toninho Horta e Arismar do Espírito Santo o acompanharem. Discretos e elegantes, valorizam a voz gutural e cool de Seu Jorge.
O lado “étnico” ou “world music” cabe à portuguesa Ana Moura e ao espanhol Miguel Poveda. Ela canta Janelas Abertas nº 2. Sua dramaticidade (“percorrer correndo corredores em silêncio/ Perder as paredes aparentes do edifício/ […] Na sala receber o beijo frio em minha boca”) combina bem com o cantar fadista. A Força Estranha com o cantor flamenco é interessante. Deveriam ter convidado Diego El Cigala. Ficaria muito melhor, mais dramática e a “força estranha” teria sido mais estranha ainda.
Ouça You Don’t Know Me, com The Magic Numbers.
Veja Chryssie Hynde cantando The Empty Boat, com Moreno, Domenico e Kassin em Buenos Aires. Essa interpretação é diferente da presente no Tributo.
Ouça É de Manhã, com Marcelo Camelo.
Eclipse Oculto, com CéU.
Fora da Ordem, com Jorge Drexler.

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