Sidónio era bisavô, pois está morto e morto também está Bernardo e será tratado no passado, com exceção da frase seguinte. Sassetti teria caído acidentalmente de uma falésia na praia do Abano, em Cascais, quando estaria a fotografar. Aconteceu na quinta-feira passada, portanto, há uma semana, a 10 de maio. Tinha 42 anos.
Bernardo, menino, estudou piano clássico e notabilizou-se como um dos grandes nomes da cena jazzística local. Outros destaques são o saxofonista Rodrigo Amado, Maria João e Mário Laginha. Ao contrário dos dois últimos, deve ser pouco conhecido no Brasil; Rodrigo, menos ainda: faz um som bem avant-garde.
O único disco que conheço de Sassetti é Nocturno, lançado em 2002. Percebem-se grandes influências de Bill Evans. É a sina dos pianistas modais. Pode-se dizer, no entanto, que era um Bill Evans minimalista. Pelo jeito, Bernardo gostava de fazer música com o silêncio. Em afirmação à revista Blitz, de Portugal, sobre Motion, lançado neste ano, disse: “ Este disco vive muito do que eu chamo sons amnióticos, sons que aparecem e desaparecem, coisas estranhas”. Isso mesmo, os sons que tirava do piano pareciam estar em um lugar abstrato entre ser e não ser, num limiar da dissolução, algo que não é terra e não é água.
A Time for Love é a música que abre Nocturno. Ouvir esse clássico de Johnny Mandel pelas mãos de Sassetti é a minha homenagem a ele.
Quando se fala de A Time for Love, impossível não citar a gloriosa Shirley Horn. Confira.
Veja Sassetti tocando uma música composta para Alice, um filme de Marco Martins.

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