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Uma Viagem. Um dos bons filmes exibidos, na minha opinião é Uma Viagem (Izlet, 2011). Andrej (Luka Cimpric), Gregor (Jure Henigman) e Ziva (Nina Rakovec) são amigos desde a adolescência. Antes da partida de Gregor para o Afeganistão em missão militar, os três saem sem destino no carro de Ziva.
Andrej tem Gregor como seu melhor amigo, um pouco, em razão de ter sido aquele que o “salvou” de uma situação, na qual foi posto pelado no meio dos colegas de escola. Ziva é a sua melhor amiga. A relação de Gregor com ela é mais ambígua, pois se sente atraído sexualmente, enquanto isso não acontece com Andrej, pois este é gay.
A qualidade desse filme dirigido pelo esloveno Nejc Gazvoda reside nas tensões que vão se desvelando. Os caminhos da “viagem” são “sem rumo” e percorrem atalhos inesperados e, por vezes, dolorosos. Ziva é uma moça cheia de energia, diverte-se muito com Andrej, provoca o desejo de Gregor numa espécie de jogo de aproximação e repulsão; e, no decorrer da história, perceberemos que ela o deseja também e que existe um “obstáculo” para que isso aconteça de fato. Outro momento de tensão é quando Ziva revela a farsa de seu “salvador”. Percebemos que, como o que ocorre entre os dois, muitas das nossas maiores convicções e sentimentos podem, muito bem, estar baseadas em premissas que podem não ser reais.
Depois de tudo, apesar de algumas verdades doloridas, a amizade entre eles continua. É um alento, até para os mais pessimistas.
O trailer de Uma Viagem.
Um Mundo Misterioso. O argentino Las Acacias foi agraciado com o Camera d’Or em Cannes e recebeu boas críticas na Folha de S. Paulo e em O Estado de S. Paulo. Luiz Zanin Oricchio diz que “Las Acacias é mais um exemplo de como o cinema argentino – ou pelo menos a parte dele mais visível para nós – é capaz de tirar o máximo do mínimo.” (OESP, 31/10/2011).
É certo que o olhar de alguns cineastas europeus nos mostrou um universo bem diferente do cinema cheio de histórias, “aconteceres” e ações. Através desse olhar, vemos a vida acontecer ou sendo revelada por gestos, frases e atos insinuados, em um processo no qual o espectador, de certa maneira, “preenche” os vazios e assim se constrói a história. Las Acacias (leia em http://bit.ly/vPkTEN) é uma mistura disso com os “road movies” de Wenders. Até por isso, o primeiro filme que me veio à lembrança foi No Decurso do Tempo (Im Lauf der Zeit, 1976), dirigido pelo alemão. Rüdiger Vogler é um técnico de projetores de cinema. Com seu caminhão viaja pelas cidades do interior consertando-os. Em um filme de cerca de três horas, somos espectadores de histórias que vão se passando “no decorrer do tempo”. Há uma cena reveladora que pode delatar – maldosamente – a minha percepção sobre esses filmes: Walter – é o nome dele – está com o caminhão estacionado num lugar ermo; faz a higiene (bem pouca) pessoal no caminhão, vai até um “matinho”, abaixa o macacão (pelo jeito, não usa cueca) para fazer cocô, literalmente; ficamos a observar o cocô saindo dele. Ainda bem que o filme é em preto e branco.
Nesse “nada acontecer” e acontecendo, como nos filmes americanos, o “nada acontecer” pode ser, literalmente, isso mesmo. Em outro filme elogiado por Oricchio – Um Mundo Misterioso –, Ana (Cecilia Rainero) pede um tempo para Boris (Esteban Bigliardi). Começa com um “quanto tempo” é esse tempo? Boris vai morar num hotel 2 estrelas, compra um carro velho, vai a festa, levado por um amigo, deixa de viajar porque está sem documentos, e depois, acaba indo para Colônia do Sacramento – do outro lado do rio da Prata, no Uruguai – atrás da mulher que lhe dera “bola” na festa; não a encontra e acaba passando o ano com o mecânico que está consertando o seu carro. Por fim, volta ao antigo apartamento em que morava com Ana e percebe que ela não tinha trocado as chaves, como tinha afirmado que ia fazer. Resumo: acontece um monte de coisas e nada de muito misterioso se realiza. O segredo da fechadura que não foi trocada faz pensar que tudo continua na mesma. Vai, a vida acontece, com um pouco de mistério, ou quase nada, mas acontece, mas ficar sentado quase duas horas no escuro e ficar a observar que os “mistérios” não são tão misteriosos, ah, é melhor ficar em casa lendo um bom livro e ouvindo boa música. De tanto falar mal, acabei esquecendo de citar o nome do diretor. Gravem: seu nome é Rodrigo Moreno.

pena q trabalho a noite, e necessito repousar durante o dia, q m traz inveja d quem trabalha d dia...só pude ir em 2 filmes, (melhor, em 1 filme e 1/2), na mostra...assisti nun sabado, o islandes NERVOS A FLOR DA PELE, no cinesesc, c/ os ingressos gentilmente fornecidos pela IMESP, e no feriado dos mortos, o documentario APRENDENDO A FAZER KOSHER, o qual ñ aguentei 40 min d exibição, mostrando q existem filmes p/ acalentar telespectadores...
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