quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Chopin dá uma boa definição do que é música

Lendo o artigo “Romance em ré bemol”, de João Marcos Coelho, em O Estado de S. Paulo (25/12/2010) leio uma frase atribuída a Chopin em carta dirigida a um de seus amores – condessa Delfina Potocka – que parece ser uma boa definição do que é música: “Os sons existem antes das palavras; a palavra é apenas a modificação de um som. As palavras criam a linguagem, mas os sons criam a música. E a arte de manipular o som é chamada de música. Nossos mais profundos sentimentos se expressam não em palavras, mas na música”.

Por essa razão, é sempre complicado verbalizar impressões sobre uma música com palavras.

Chopin, por Nadar
Na época em que estava no ginásio, por interesses não estritamente musicais, fui à apresentação de uma amiga que estudava piano no Conservatório Dramático e Musical, a escola mais tradicional em São Paulo, pelo menos, naquele tempo, situado num prédio antigo na Avenida São João. Tocou, se a memória não me trai, uma das Polonaises. Por desconhecimento ou preconceito, Chopin ficou meio que no limbo dos meus gostos: simplesmente, achava que a música do polonês era coisa de meninas: visão distorcida de quem pouco conhecia de música. Nem consigo lembrar dos compositores que me atraíam nesse tempo; Bach, talvez, por influência de um amigo que, de tão fanático, às vezes assinava grafando o nome do alemão.

Quando fui realmente despertado para a música erudita, minhas preferências iniciais recaírem nos “modernos”: Debussy, Bártok e Stravinsky. À medida que fui ouvindo mais, fascinei-me pelos lieder de Schubert, pela música cantada de Mahler (Canção da Terra, Kindentotenlieder, Rückert-Lieder) e de Richard Strauss. E, claro, os três “B”s: Bach, Beeethoven e Brahms.

Já tinha minhas atenções despertadas para a música de Chopin depois de ter assistido ao documentário L’amour de la vie – Arthur Rubinstein, de Gérard Patris e François Reichenbach, no Cine Lumière, SP (sobre Rubinstein e o filme, leia http://bit.ly/efA2Lq e http://bit.ly/hlhQeR). Mas, aquela sensação de nocaute, tive quando comprei os Noturnos na interpretação do pequeno gigante chileno Claudio Arrau. O que disponibilizo, é um dos Noturnos. Primeiras impressões são sempre fortes. Depois de ter ouvido Nelson Freire, Arthur Rubinstein, Maurizio Pollini, Maria João Pires, a de Arrau continua como a preferida.


Noturno nº 20, com Claudio Arrau.

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