quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Jeremy Pelt: entre o elétrico e o acústico

Jeremy e seu trumpete
Pelo segundo ano consecutivo, Jeremy Pelt foi considerado o primeiro “Rising Star” no trumpete pela revista Downbeat. Tem alguns discos lançados pela MaxJazz e o último, Men of Honor, saiu pela HighNote Records. Acaba de completar 34 anos, em 4 de novembro.

Houve uma onda acústica entre os jovens a partir de 1980. Como na música erudita, em que aconteceu uma “volta” ou um “resgate” pelos instrumentos e instrumentações originais, houve uma “cruzada” pela “purificação”, ou por um esgotamento  do jazz elétrico ou, simplesmente, por questões de mercado. Essa turma surgida e que teve Wynton Marsalis como um de seus líderes, ficou conhecida como “young lions”. Era um bando de gente vestida com finos costumes e vistosas gravatas apresentando-se nas mesmas casas que abrigaram malucos como Thelonious Monk e Gil Evans. Wynton ganhou o Lincoln Center. Nada mal. Merece. Tem talento, apesar de parecer um chato de galochas, ou melhor, de Armani.

Nem tanto, nem cá, Jeremy Pelt tem mostrado versatilidade e talento para ser “elétrico” e acústico. Não é radical como o suíço Erik Truffaz, que mescla hip hop, rock e tudo o que vier. Mesmo eletrificando sua música, Pelt é, antes de mais nada, um músico de jazz e esse é seu diferencial. E é por isso que não cabe na classificação do que é chamado jazz fusion.

Em Shock Value – Live at Smoke (2007), Pelt é acompanhado por Frank Locasto (Fender Rhodes, Hammond B-3), Gavin Fallow (bass), Dana Hawkins (bateria), Al Street (guitarra) e Becca Stevens (vocals). A banda, não por acaso, chama-se Wired. As composições são todas dele mesmo, com exceção de Beyond (Derek Nievergelt). Pelt toca trumpete e flugelhorn com e sem efeitos eletrônicos sobre a base arquitetada por Locasto, a guitarra de Street. Uma faixa nomeada, simplesmente, como Blues, é um dos destaques. É um som de punch, de improvisos vigorosos do trumpetista, na melhor tradição de Fred Hubbard e Lee Morgan.

No álbum recentemente lançado, a formação da banda é essencialmente acústica. É um disco de banda, em que todos os componentes têm participação ativa. Os uníssonos do trumpete e o sax tenor J.D. Allen lembram muito os registros de Miles Davis e Wayne Shorter nas gravações que fizeram nos anos 1960. O solos do sax de Allen são especiais, tanto como os do pianista Danny Grissett. O sax tem um som volumoso e melancólico. É para se prestar atenção nos solos de Allen em Brooklin Bound. As músicas de andamento mais lento, como essa, a quinta, From a Life of the Same Name (G. Cleaver) e última, Without You (D. Grissett) fazem valer o disco. Por vezes, o som lembra o de Miles e seu melhor quarteto (Shorter, Ron Carter, Herbie Hancock e Tony Williams). Uma comparação dessas é um elogio à beleza de Men of Honor. Estão todos muito bem vestidos, mas sem gravata.

Veja Jeremy Pelt em Milestones, de Miles Davis com a Big Band de Bob Belden no Birdland. O solista no sax tenor é Joe Lovano.

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