quarta-feira, 2 de março de 2011

O morto Nick Drake


A primeira vez que ouvi Nick Drake não sabia nada dele. Senti uma atração imediata por sua música. Tinha um quê de desamparo naquelas palavras entoadas, meio soltas no ar à cata de alguma outra dor. Nem lembro como acabei comprando um disco dele. Na capa, um rosto infantil com uma blusa de listras cobrindo seu corpo no meio de uma paisagem verde um tanto fantasmagórica.

Nick lançou três discos: Five Leaves Left (1969), Bryter Layter (1972) e Pink Moon (1972). Em 1974 morreu, aparentemente, por ingestão excessiva de antidepressivos. Era usuário de marijuana e tinha tomado LSD também. Desde o começo de sua carreira ficou evidente sua fragilidade psicológica, passando por constantes episódios de depressão e de insônia.

Filho de um engenheiro de estradas, nasceu na Birmânia e, de uma família endinheirada, frequentou escolas de elite e estudou literatura inglesa na Fitzwilliam College. De personalidade retraída, tinha poucos amigos. Descoberto por Joe Boyd, que se tornou seu produtor, assinou contrato com a gravadora Island, de Chris Blackwell. Vendeu pouco em vida, Vendeu muito mais depois de morto. Deixou clássicos como River Man, Way to Blue, Day Is Done e Things Behing the Sun. Intérpretes da área jazzística como Brad Mehldau, Tessa Souter e Norah Jones gravaram composições de Drake. O brasileiro Renato Russo gravou Clothes of Sand em The Stonewall Celebration Concert (1994).


Ouça River Man.



 

Ouça Way to Blue.


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