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| Buckley pai e Buckley filho, muito parecidos |
Lenda ou não, se foi assim, foi uma morte cinematográfica. Imagine alguém vestido e calçando botas entrando na água, andando, cantando uma música do Led Zeppelin. Enquanto caminha, seu corpo vai submergindo na água, até desaparecer. Dá uma cena de cinema. Faz lembrar o suicídio da escritora inglesa Virginia Woolf, que entrou na água com pedras nos bolsos.
Segundo a autópsia, não tinha traços de drogas nem álcool, e a causa mortis foi afogamento acidental. Jeff não foi o primeiro da família a morrer tragicamente. Tim Buckley, seu pai, descoberto por Frank Zappa, morreu com 28 anos de idade, de overdose de heroína. Era intérprete em ascensão, como Jeff, e parecido fisicamente. O único trabalho que conheço de Tim, é o álbum Starsailor. É um pouco “intenso demais”, meio histérico. Não está entre os meus dez preferidos.
Em vida, Jeff lançou apenas um disco: Grace. Não vendeu muito, mas encantou músicos como Bob Dylan e Robert Plant, a ponto de Jimmy Page considerar Grace um de seus discos favoritos da década. Antes de morrer tinha começado a gravar Sketches for My Sweetheart the Drunk com Tom Verlaine, líder do Television.
É certo que a forma como Jeff morreu só fez ampliar o mito. Isso é forte no mundo do rock, assim como era a morte por tuberculose dos escritores românticos do século XIX. Mas é merecido. Em Grace, além de composições próprias, gravou Lilac Wine, famosa na voz de Nina Simone, Corpus Christi Carol, do compositor erudito britânico Benjamin Britten, e fez uma versão matadora de Hallelujah, de Leonard Cohen. E é essa música que você vai ouvir.
Veja Jeff Buckley em “Hallelujah”, original de Leonard Cohen.
Assista ao vídeo oficial de “Grace”.

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